Get me outta here!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Extinção como fenômeno natural ou extinção acelerada pela exploração, de que lado estamos?




A extinção de espécies no planeta pode parecer um problema, mas é um evento extremamente comum na Terra. A extinção vem acontecendo com o passar dos milênios de forma natural, pois as mudanças no meio ambiente do planeta exigem a adaptação das espécies. Já passamos por cinco processos deste tipo, sendo mais famoso o de 65 milhões de anos atrás, no Período Cretáceo, época em que aconteceu a extinção dos dinossauros.  Estamos passando atualmente por um novo período de extinções. A questão é como ela está acontecendo, e como ela é tratada pela população que mais a impacta – nós - os seres humanos!


Com o crescimento da espécie humana e sua ocupação sobre o planeta, a manipulação dos recursos que a natureza nos oferece é cada vez mais sofisticada e predatória, mas nem sempre essencial para nossa sobrevivência. O número de pessoas no planeta atingiu uma quantidade tamanha que a produção de alimentos e outros produtos demandam muita matéria-prima e suas más utilizações causam muito desperdício. Aí está a grande questão: o uso descontrolado dos recursos naturais acaba acelerando o que deveria ser um processo lento, gradual e natural de evolução, adaptação e renovação das espécies, ou seja, o processo de extinção.Perguntas para debate:
  • Baseando-se no texto, pense: quando a extinção pode ser vista como um processo natural? 
  • Você considera que o consumo consciente pode ajudar a minimizar a extinção das espécies em geral? Como?

Para saber mais:
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Pesquisas recentes como a dos pesquisadores Rodolfo Dirzo e Mauro Galetti Rodrigues apontam para o fato de que em 500 anos a taxa de extinção foi maior, mais devastadora e mais rápida que a última, ocorrida no Período Cretáceo. Nesse período, cerca de 322 espécies sumiram do planeta. Entre 16% e 33% das espécies de vertebrados estão ameaçadas de desaparecer do planeta!


O pesquisador Rodolfo Dirzo, da Universidade de Stanford, na Califórnia, avisa: “O declínio destas espécies animais afetará em cascata o funcionamento dos ecossistemas e, finalmente, o bem-estar humano”.

Um exemplo atual, o avanço na destruição de faixas da Mata Atlântica pode ocasionar a perda de espécies que se encontram em perigo. Seu total desaparecimento leva consigo, além da fauna e da flora, a proteção do solo e o controle de temperatura de áreas próximas.




VOCÊ SABIA:
A Mata Atlântica só possui 12% da sua área total preservada e, mesmo assim, ainda possui 8% das espécies de aves do mundo.







Maria Júlia Lima Rocha– 
Licencianda em Ciências Biológicas
– UFRJ / CCS
Bolsista PIBEX – UFRJ



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Pensar no planeta ou pensar no conforto? Uma discussão sobre meios de transporte.


Muitas pessoas falam em “ajudar o planeta”, preocupam-se com o aquecimento global, com as mudanças climáticas, falam sobre sustentabilidade e economia verde, discutem sobre adotar modos de vida que não afetem tanto o planeta.  Mas será que as pessoas põem em prática aquilo que dizem? Ouvimos tanto que o nosso planeta está cada vez mais quente e um desses motivos seria a emissão de gases poluentes na atmosfera. Vamos pensar, os carros usados como meio de transporte liberam gases que poluem o ar. Então, por que usamos carros como meio de transporte?



Um meio de transporte alternativo e muito econômico (tanto para o planeta, quanto para o nosso bolso) é a bicicleta. A bicicleta é o meio de transporte mais utilizado nas cidades pequenas, com cerca de 50 mil habitantes e, incrivelmente, o número de ciclistas nas ruas das grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro também têm crescido. As pessoas que colocaram seus carros na garagem e adotaram a ‘magrela ou bike’ dizem estar muito satisfeitas, já que o trajeto casa-trabalho que levava em torno de 1h30min nos horários de pico, com a bicicleta leva em torno de 30min, isso porque, sobre duas rodas, conseguem fugir do trânsito cada vez mais complicado das grandes cidades...
 Além dos benefícios que traz ao ser humano, fazer uso da bicicleta é também uma forma de ajudar o planeta, já que esta não emite gases poluentes, ou seja, podemos pedalar a vontade sem emitir poluentes. Enquanto os veículos automotores, segundo pesquisas, são responsáveis por cerca de 90% das emissões de gases na grande São Paulo. Além de todo esse benefício, uma organização que tenta promover o uso das bicicletas também mostra que as bicicletas podem mudar nosso humor, isso porque as “endorfinas¹ liberadas pelo exercício contribuem para um relaxamento muscular e mental, o que faz os praticantes de atividade física regular verem a vida com outros olhos. O humor melhora tanto no trabalho como em casa. E um relacionamento melhor com os colegas proporciona um ambiente de trabalho mais agradável para todos.

¹endorfinas – um hormônio neurotransmissor utilizado pelos neurônios para comunicação no sistema nervoso


Apesar do benefício com as pedaladas e da poluição do transporte individual, o número de pessoas que abandonam os ônibus e passam a utilizar o carro como alternativa ao transporte coletivo também cresceu. Estima-se que, em São Paulo, foram adicionados mais de 120 mil veículos às ruas. Mas, se a bicicleta traz tantos benefícios, por que as pessoas preferem utilizar o carro? Se pararmos para pensar, apesar de seus problemas, os carros também trazem um grande benefício que as pessoas têm passado a buscar com muita frequência nos últimos anos, o conforto!


Apesar do número de ciclovias ter crescido muito ultimamente, não podemos usar a bicicleta para chegar a um lugar muito distante de nossa casa, isso se dá porque pode causar um excesso de esforço ou até mesmo porque em algumas avenidas e rodovias é proibido o uso de bicicletas, por uma questão de segurança. Tratando-se da saúde do planeta, muitas pessoas dizem que a melhor opção é usar o ônibus como transporte, mas estes também causam grandes problemas, como por exemplo, excesso de passageiros e às vezes muitos atrasos, gerando desconforto e lentidão no trânsito. O carro, ao contrário, possibilita sempre uma maneira autônoma, já que não se depende do horário do transporte público, e é confortável de viajar. Além disso, se não estiver viajando em horário de rush, o carro garante a viagem e o trajeto mais rápido e, assim, o motorista pode chegar em casa mais cedo e ter mais tempo para executar alguma tarefa pendente ou, até mesmo, aproveitar a família e o lazer.

Questões para debate:


  • É possível conciliar o uso de carro e bicicleta de forma que você possa contribuir para a saúde do nosso planeta e, ao mesmo tempo, para o seu conforto? 
  • Em duplas, pesquise sobre outros problemas e benefícios que nos causam usar o carro e a bicicleta, após isso comparem os resultados e discutam, enfim, a melhor alternativa de transporte.

Referências Bibliográficas:

 Autoria:
Maiara Pereira Barreto
Licencianda de Ciências Biológicas – UFRJ
Bolsista PIBEX – UFRJ – FE/IB


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Beber ou não beber? Haja coração!


 Beber ou não beber? Haja coração!



‘Antioxidante’ é um conceito conhecido popularmente por estar relacionado ao antienvelhecimento, por conservar a pele ‘jovem’. Esta propriedade é característica das frutas vermelhas ou arroxeadas como o morango, a uva, o açaí e a acerola, frutas mais conhecidas e outras como o mirtilo, a framboesa, a amora e a cereja. Por essa razão, durante muitos anos acreditou-se que a ingestão diária de um cálice de vinho era benéfica para uma boa saúde e uma vida longa. Pesquisa realizada por alunas do Departamento de Bioquímica da USP aponta que o processo oxidativo pode causar vários danos às nossas células e, consequentemente, à nossa saúde, como por exemplo, mutações e até morte celular. Isso porque os antioxidantes, como o nome já sugere, combatem a oxidação, ou seja, impedem que os radicais livres das moléculas de oxigênio modifiquem a estrutura das moléculas presentes no nosso corpo.


Contrariando esta ideia, cientistas isolaram uma molécula antioxidante do vinho tinto e descobriram que “antioxidantes não retardam o envelhecimento e podem causar câncer”. A afirmação foi feita pelo famoso cientista Dr. James Watson, o mesmo que participou da descoberta do DNA! Apesar de antigos estudos, que foram realizados com animais de laboratório, revelarem que os antioxidantes traziam benefícios, novos estudos e realizados em seres humanos levaram diversos pesquisadores a questionar o teor milagroso dos antioxidantes. 


Cientistas da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, descobriram que uma dieta rica em resveratrol (composto antioxidante natural encontrado nas uvas vermelhas) pode impedir vários benefícios das atividades físicas, por exemplo, evitando que os exercícios promovam a redução do colesterol e melhoras na capacidade cardiovascular. Além disso, os radicais livres (responsáveis pela oxidação) geralmente tidos como vilões podem ser necessários ao corpo, ocasionando respostas saudáveis. Curiosamente, também, as células cancerígenas são mortas durante a radioterapia através do processo da oxidação, ou seja, por meio dos radicais livres. Além disso, os radicais livres são importantes para o funcionamento dos músculos, por exemplo, controlando a força das batidas do coração, no controle do apetite e, contrariando resultados de pesquisas anteriores, que os radicais livres podem ter efeito contra o envelhecimento!
Gerando mais polêmica, estudos afirmam que o oxigênio pode ser tóxico e tem sido associado ao envelhecimento e ao desenvolvimento de doenças crônicas. Cientistas da Universidade Hallym, na Coreia do Sul apontam que os antioxidantes seriam indispensáveis na nossa dieta alimentar, sendo responsáveis pela defesa contra a oxidação, mantendo um papel fundamental na manutenção do equilíbrio do corpo, por suas propriedades anti-inflamatórias e por reduzirem o envelhecimento precoce da pele. Pesquisas apontam que existem grandes possibilidades de que os antioxidantes sejam usados futuramente no tratamento de doenças que tenham surgido por causa de processos oxidativos.


Questão para debate:

  1. A oxidação e a antioxidação são processos biológicos naturais, podendo trazer benefícios ou malefícios. Que tal tirar suas próprias conclusões sobre esses estudos? Entreviste seus familiares e conhecidos que costumam beber vinho tinto e os que não costumam beber. Compare as informações relativas à saúde e disserte sobre as consequências (boas ou ruins) causadas pelo consumo desta bebida.


Referências bibliográficas:


Fontes das imagens: 


Autoria:

Danielle Barbosa, Sorahia Qualhano, Bárbara Miranda e Nádia Isabel
(Professoras da Escola Municipal Chile)

Maiara Pereira Barreto 
(Licencianda em Ciências Biológicas e Bolsista PIBEX/UFRJ)


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Extra! Extra! Pais do futebol ganha medalha em Matemática!

Extra! Extra! Pais do futebol ganha medalha em Matemática!



É inegável que o Brasil tem grande notoriedade quanto o assunto envolve campo e bola de futebol. Mas será que só temos isso mesmo? Mesmo com pouca popularidade nas ultimas semanas tivemos ótimas noticias vindas da área científica. Um brasileiro acaba de ganhar a medalha Fields e também ganhamos quatro medalhas  nas Olimpíadas de Matemática do Cone Sul.
Após toda aquela loucura que foi a Copa do Mundo, onde mostramos ao mundo a nossa vocação como anfitriões, voltamos a rotina normal. A visibilidade do esporte mais praticado no país ficou um tanto abalada após o 7x1 contra a seleção alemã, o que fez gerar grandes especulações sobre o futuro da “nação de chuteiras”. Técnicos de toda parte, jogadores, comentaristas e torcedores, clamando por mais investimentos no futebol de base, na descoberta de craques mirins e no acompanhamento destes, para que no futuro possam ser os grandes nomes de uma seleção mais forte.

Entretanto, outra base que anda precisando de investimento é a educação. O Brasil ocupa o 58º lugar entre os 65 participantes do exame PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) aplicado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Mas mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, cinco feras na resolução de problemas acabam de trazer ao país medalhas olímpicas! São quatro medalhas nas Olimpíadas de Matemática do Cone Sul, sendo duas medalhas de ouro, uma prata e uma de bronze. Os medalhistas são Pedro Henrique Sacramento de Oliveira, de 15 anos, de Vinhedo (SP), Gabriel Toneatti Vercelli, de 16 anos, de Osasco (SP), João César Campos Vargas, de 16 anos, de Passa Tempo (MG), e Andrey Jhen Shan Chen, de 14 anos, de Campinas (SP), respectivamente.  E não acaba por aí. Uma medalha Fields foi disputada e ganha por Artur Ávila, que já possui 13 condecorações relacionadas à sua área de atuação. A Medalha Fields é considerada o Prêmio Nobel da matemática. Professores, alunos e diretores de escolas por toda nação também pedem por mais investimentos nessa área!


A medalha Fields foi concedida à Ávila por suas “notáveis contribuições no campo dos sistemas dinâmicos, análise e outras áreas, em muitos casos provando resultados decisivos que resolveram problemas há muito tempo em aberto", como descreve o comunicado oficial da União Internacional de Matemática (IMU), que concedeu o prêmio. O documento classifica o brasileiro como um mestre em resolver problemas e como possuidor de um ótimo senso para questões profundas e significativas, com formidável poder técnico, engenhosidade e tenacidade. 
(Marcelo Garcia, Revista Ciência Hoje On-line/ RJ, agosto de 2014)

Pra jogar bola, são necessárias habilidades que podem, e devem ser desenvolvidas dentro da escola, assim como matemática, física, química, biologia e português.



Questões pra debate:

  • Quanto vale um professor de matemática? E um jogador de futebol?
  • Quanto é investido em educação e em futebol no Brasil ? Pesquise a respeito.

Para saber mais:

Maria Júlia Lima Rocha– 
Licencianda em Ciências Biológicas
– UFRJ / CCS
Bolsista PIBEX – UFRJ







segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O uso de animais em pesquisas científicas é um procedimento realmente necessário?

O uso de animais em pesquisas científicas é um procedimento realmente necessário?


Grande parte dos produtos comercializados, antes de serem consumidos pelos seres humanos, são submetidos a procedimentos-testes, como por exemplo, remédios, cosméticos e higiene pessoal. Tais procedimentos, hoje em dia, são realizados em animais criados em laboratório, sendo a grande maioria camundongos (72%). Outros animais também podem ser utilizados para que os produtos possam receber aprovação para consumo humano: peixes, cerca de 13%; pássaros, cerca de 4%; cachorros, gatos e macacos, que totalizam menos de 0,5%. O uso destes animais para teste tem gerado muita polêmica entre cientistas e ativistas que defendem o direito dos animais. Discute-se incessantemente a real necessidade de utilização de animais para testes em produtos, principalmente, em produtos de beleza.


Claude Bernard (1813-1878) era um fisiologista francês, ou seja, estudava o funcionamento dos organismos. Para isto, ele mantinha um biotério e um laboratório nos porões de sua casa porque julgava muito necessária a utilização de animais vivos para as pesquisas científicas. Sua esposa e sua filha, cansadas de ouvir os gritos dos animais que eram torturados, saíram de casa e criaram a primeira sociedade francesa em defesa dos animais. Desde então, outras fundações surgiram e a polêmica só cresceu.


Muitos cientistas declaram que no momento não é viável realizar experimentações científicas sem o uso de animais já que as interações entre células são muito complexas e ainda não foi possível imitá-las, por isso elegem os animais criados em laboratórios para modelos experimentais. Ao mesmo tempo, defendem a Lei Nº 11.794/2008, também conhecida como Lei Arouca, que estabelece, através da Constituição Federal, os procedimentos para o uso científico de animais e a seguem rigorosamente.  As empresas médicas também concordam que sem a experimentação nos animais o entendimento das doenças humanas e o desenvolvimento de novos tratamentos serão prejudicados.


Por outro lado estão os ativistas, que usam de todos os métodos necessários para a erradicação de procedimentos-testes em animais. Afirmam que 65% dos experimentos são realizados sem anestesia, podendo ou não envolver o ato da vivissecção, que consiste na dissecação (separação de partes do corpo de um organismo) de animais vivos com a finalidade de estudos. Além disso, também alegam que já existem inúmeros métodos eficientes e eficazes que podem e já estão sendo usados nessa área e que a utilização de animais em pesquisas. É um retrocesso e um desrespeito à vida.
Segundo a ECEAE (European Coalition to End Animal Experiments), 12 milhões de animais são usados anualmente nos laboratórios europeus. A cada 10 minutos, 137 animais sofrem em experimentos cruéis e dolorosos. Um exemplo da crueldade está em testes do botox, usado para suavizar rugas:

“Cada lote de botox que é posto à venda foi testado em centenas de ratinhos usando o controverso teste de envenenamento por Dose Letal. O teste é chamado LD50 (Letal Dose ou Dose Letal) porque na experiência se procura a dose que matará 50% dos ratinhos – o que causa um sofrimento horrível. Os ratinhos são infectados na barriga com  botox e depois observados para que se vejam quantos morrem. Os ratinhos começam a ficar paralisados, tentando respirar e, se deixados abandonados, sufocarão até morrer”.

Questões para debate:
  • Você defende a utilização de animais para pesquisas científicas? Quais dos envolvidos no debate (ativistas e cientistas) você acredita que possuem uma justificativa mais aceitável?
  • Você acredita que há como usar animais para testes de maneira controlada e de forma que não cause sofrimento aos bichos ou que a ciência deve se preocupar em desenvolver ferramentas que sejam eficientes para a experimentação?
  • Algumas frases inspiradoras para ajudar no debate. Elas são de Donna Haraway, filósofa, escritora e professora:
- “Não é matar que nos leva ao exterminismo, mas sim tornar os animais matáveis.”

- “Considerar os animais como sistemas de produção e como tecnologias não é nenhuma novidade. Levar os animais a sério como trabalhadores sem os confortos das estruturas humanistas para pessoas e animais talvez seja algo novo e possa ajudar a conter as máquinas de matar.”

Bibliografia: 


Fontes das imagens:

  • Vista-se.com.br  - portal sobre veganismo e Direitos Animais do Brasil. (http://vista-se.com.br/veja-o-que-pensa-a-comunidade-cientifica-brasileira-sobre-testes-em-animais-para-produtos-cosmeticos/)
  • Projeto Cienciando - divulgação de inovações, avanços e conteúdos da área de Ciências em geral. (http://projetocienciando.blogspot.com.br/2012/05/experimentacao-animal-crueldade-ou.html)
  • Brasil escola (http://www.brasilescola.com/animais/animais-laboratorio.htm)

Autoria: 

Maiara Pereira Barreto (Licencianda de Ciências Biológicas – UFRJ / Bolsista PIBEX – IB – FE – UFRJ)

David Geber (Graduando de Ciências Biológicas – UFRJ / Laboratório de Vertebrados – UFRJ)

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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Cadê as águas de março, abril, maio junho...?

Cadê as águas de março, abril, maio junho...? 




São Paulo, a poderosa e única megalópole do país é famosa por ser a terra da garoa. Seus moradores, nos últimos meses, têm feito uma pergunta frequente: “o que vem acontecendo com a nossa água?” É visível o desabastecimento de água, um dos artigos básicos à vida. Governo, ONGs  e população tentam defender seus pontos de vista e necessidades, mas o mistério permanece: como resolver o problema da falta d’água?
Com a irregularidade de chuvas durante o verão de 2013/2014 o sistema de abastecimento de Alto do Cantareira sofre com uma estiagem jamais vista. Os níveis de seus reservatórios já atingiram menos de 15%. Para manter um abastecimento regular a SABESP (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) lançou mão de um recurso um pouco duvidoso, a utilização do chamado ‘volume morto’ do Sistema Cantareira.

 O chamado ‘volume morto’ é composto por águas mais profundas do sistema, isto é, aquelas que não foram usadas e se acumularam no fundo dos reservatórios. Por esse fato, podem conter poluentes que são prejudiciais à saúde da população. Outro risco de se utilizar o ‘volume morto’ é o fato de ser uma reserva de emergência, e se o ciclo da chuva não se regularizar nos próximos meses, o rombo no Sistema Cantareira pode passar de 30% negativos em 2015.

No meio a crise de abastecimento o governo de São Paulo afirma que não há necessidade de racionamento de água. Entretanto, a população já sofre com a falta de água nas torneiras. O IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) liberou dados de uma pesquisa realizada entre os dias 26 de julho e primeiro de agosto, onde 73% dos relatos dos consumidores informam a falta de água durante a noite, 9% durante a manhã e 13% durante o dia e a noite.   5% dos moradores informam que as torneiras secam  no período da tarde.
A frequência da falta de água ficou distribuída assim: todos os dias, uma vez por dia - 73%; mais de uma vez por semana - 17%; mais de uma vez por dia - 5% ; 1 vez por semana -  3%;  uma vez por mês - 1%; mais de uma vez por mês - 1%. 

De acordo com os relatos, as regiões mais afetadas com a falta de abastecimento de água são, respectivamente são: a zona Oeste (24%), Norte (23%), Sul (20%), Leste (25%) e Grande São Paulo (8%). Outro dado alarmante é que 59% dos participantes percebem comprometimento na qualidade de água fornecida. (Fonte: IDEC, 2014)



        Questões para debate:

O que pode ter causado a estiagem  que vem afetando o abastecimento do Sistema Cantareira: interferência humana  que causa o aquecimento global ou a ausência de planejamento  do governo paulista? As duas possibilidades podem ser complementares?
Quais medidas deveriam ser tomadas, em sua opinião, para melhorar a distribuição de água e prevenir um racionamento na cidade de SP?

Para aprofundar o debate.

Não é a primeira vez que você vê um tema assim aqui, uma boa leitura complementar é o clipping sobre mudanças climáticas.

Veja também.


 



Fontes:

Autoria
Maria Júlia Lima Rocha 
Licencianda em Ciências Biológicas – UFRJ / CCS
Bolsista PIBEX – UFRJ










segunda-feira, 28 de julho de 2014

Eu vou invadir a casa dos anfíbios ou protegê-los?

EU VOU INVADIR A CASA DOS ANFÍBIOS OU PROTEGÊ-LOS?

A Classe Amphibia é formada por 3 ordens: Caudata (salamandras), Gymnophiona (cecílias ou cobras-cegas) e Anura (sapos, rãs e pererecas). É a classe de vertebrados com o maior número de espécies se extinguindo no mundo. Devido suas características fisiológicas ou orgânicas, como respiração, nutrição, etc e às características ecológicas, como pele permeável (que permite a passagem de algum fluido), o que os torna vulneráveis a dessecação (perda excessiva de água) e ao aumento de temperatura do corpo, eles são afetados por qualquer distúrbio ambiental, como a poluição. Atualmente, as duas principais causas da diminuição das populações de anfíbios são a doença causada pelo fungo quitrídeo (Batrachochytrium dendrobatidis) e a destruição de seus hábitats.



Ordem Caudata - salamandra (Bolitoglossa sp) e Ordem Gymnophiona - cobra-cega (Caecilia marcusi). Fotos por Paulo S. Bernarde. Fonte: http://www.herpetofauna.com.br/Anfibios.htm

A perda de hábitats vem aumentando com o avanço da sociedade humana. Desde o momento em que deixamos de ser nômades, ocorreram desmatamentos. Florestas nativas foram derrubadas para a criação de espaços para o uso na agricultura e na pecuária de subsistência e, com o passar do tempo, para a construção de cidades, indústrias, grandes plantações e criação de animais. Do ponto de vista econômico essas mudanças podem ser importantes no desenvolvimento do nosso tipo de sociedade, principalmente pela necessidade de emprego, moradia, alimentos para a população, além do desejo de lucro. Se houver uma floresta em uma determinada área, provavelmente essa área não poderá ser usada para o plantio, sendo assim, não haverá o cultivo de soja, por exemplo, usada para alimentação de animais e humanos, e para a produção de biodiesel.

Plantação de soja (www.ufgrs.br)

Entretanto, muitos ecossistemas são destruídos e espécies de animais (alguns ainda nem descobertos) estão sendo extintos. Os anuras possuem um importante papel ecológico na cadeia alimentar. Sabe quando aparecem vários mosquitinhos chatos que ficam picando a gente? Pois bem, os sapos são os principais predadores desses insetos. Então, tente imaginar um mundo onde não existam sapos. Além disso, não podemos esquecer que os sapos também são alimentos para vários animais, como cobras e corujas. 

Se os sapos forem extintos, você notará.
(http://kqedscience.tumblr.com/post/14172256780/if-frogs-go-extinct-youll-notice)

Do ponto de vista econômico e farmacológico os sapos também são importantes. Eles possuem substâncias tóxicas usadas para sua defesa contra predadores, mas com o avanço nas pesquisas estas substâncias estão sendo usadas para o desenvolvimento de medicamentos que combatem doenças. O veneno do sapu-cururu (Rhinella jimi) – é o mesmo sapo cururu da música – é usado para o tratamento da leishmaniose e doença de Chagas. Um outro sapo Epipedobates tricolor possui uma substância que é 200 vezes mais potente que a morfina. Imagine o uso em pacientes com fortes dores! O caso mais antigo de uso do "veneno" é do kambô, o Phyllomedusa bicolor (na verdade o kambô é uma perereca!), do qual os indígenas da Amazônia fazem a vacina do sapo. Eles retiram a secreção do animal, fazem um pequeno ferimento no braço da pessoa que irá tomar a vacina e injetam a secreção. Ela causa inúmeras reações como náusea, diarreia, vômitos, mas os índios acreditam (e os cientistas também estão começando a acreditar) que essa substância pode curar diversas doenças. 


A perereca Phyllomedusa bicolor. Fonte: http://www.herpetofauna.com.br/Kambo.htm.


GLOSSÁRIO   
Termos
Significados
Biodiesel

Combustível de automóvel feito a partir de óleos vindo de plantas ou de gordura animal.

Ecossistema
Relação entre todos os seres vivos com o ambiente em que estão presentes.

Metamorfose
É uma transformação na forma e estrutura do corpo que alguns animais passam durante o ciclo de vida. Ex. o girino que se transforma em sapo e a lagarta que pode virar uma borboleta ou mariposa.

Nutrientes
Substâncias adquiridas na alimentação e necessária para o funcionamento adequado de todos os seres vivos.

 DEBATES

  • Os anfíbios são animais que possuem grande importância para a sociedade, tanto farmacológica, alimentícia (acredite, tem gente que gosta de comer rã) como ecológica. Entretanto, esses animais vêm perdendo seus espaços no ambiente devido, principalmente, ao desmatamento. O desmatamento também possui importância econômica para o país. A partir do texto acima, de pesquisas e opiniões, dividam-se em grupos de 4 ou 5 e debatam o que vocês consideram mais importante: preservar os anfíbios ou desflorestamento. Ao final, comparem a opinião dos grupos e vejam a conclusão de cada um.


  • Observe a imagem abaixo. Ela mostra um engenheiro no meio da floresta com o balão da conversa em branco. O que você acha que ele irá falar? Podemos preservar ou construir. Compare sua resposta com a de seus colegas.



JÁ VIU SAPO CANTAR?

Então acompanhe a vocalização do Dendropsophus minutus

fonte: http://ardobrasil.blogspot.com.br/search/label/Anuros

 




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • APROSOJA. Os usos da soja. Disponível em: http://www.aprosoja.com.br/sobre-a-soja/Os-usos-da-Soja 26 Junho. 2014.


  • ARRAES, Ronaldo de Albuquerque e; MARIANO, Francisca Zilania; SIMONASSI, Andrei Gomes. Causas do desmatamento no Brasil e seu ordenamento no contexto mundial. Rev. Econ. Sociol. Rural,  Brasília ,  v. 50, n. 1, Mar.  2012 .   Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010320032012000100007&lng=en&nrm=iso. 26 Junho 2014. 


  • MULLER, Fernanda. Agricultura é apontada como grande vilã do desmatamento. Disponível em: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/agricultura1/noticia=731944. 26 Junho 2014.


  • RODRIGUES, Adriele. A importância dos anfíbios. Disponível em: http://www.revistafapematciencia.org/noticias/noticia.asp?id=466. 26 Junho 2014.

Autoria:

David Geber
Licenciado em Ciências Biológicas – UNIGRANRIO
Bacharelando em Ciências Biológicas – Zoologia – UFRJ
Laboratório de Vertebrados – Departamento de Ecologia – UFRJ