Get me outta here!

domingo, 7 de agosto de 2016

OLIMPÍADAS NO RIO DE JANEIRO: RECEPCIONANDO PESSOAS DE TODAS AS PARTES DO MUNDO

Chegamos ao momento dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016! O momento do acolhimento dos turistas, vários povos, várias línguas, costumes diferentes. Como os atletas estão sendo recepcionados?Afinal, como a população que reside em nosso país está lidando com os jogos que durarão cerca de 2 semanas?

Desde 2009, quando o Brasil soube que sediaria os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, o Rio de Janeiro se preparava para receber os turistas, atletas e para uma série de modificações e mudanças na arquitetura e logística da cidade para poder realizar os jogos.   Para que ocorressem essas mudanças, foram necessárias várias transformações na cidade, como na sua infraestrutura, construções de vias expressas (BRT e VLT), vilas para os esportistas se hospedarem, construções e revitalização de estádios para o treinamento das diversas equipes, o que exige infraestrutura diferenciada para cada modalidade olímpica. A cidade sede teve que se adequar para receber os jogos.

Os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos implicam no aumento de turistas visitando a região, não apenas os jogadores, mas pessoas que irão ver os jogos, gerando assim entrada de dinheiro no país. Com a construção de estádios, obras para a infraestrutura, necessidade de pessoas bilíngues para ajudar os turistas e, consequentemente,geração de empregos, o que, momentaneamente, é bom para a população. Com a transmissão para o mundo todo hámaior visibilidade do país no exterior, gerando possíveis empreendimentos no país vindos de outros países. O prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes defende: 

"Tenho muita convicção de que a história da Olimpíada é bastante diferente do que foi a história confusa da Copa do Mundo. O modelo construído e a maneira como está se fazendo, inclusive do ponto de vista orçamentário, é algo bastante diferente", (A Olimpíada) é uma oportunidade de mostrar um Brasil diferente do país que atrasa licitações e superfatura preços. (...) É uma enorme oportunidade de transformação", completou, mencionando, em seguida, a expansão da rede hoteleira do Rio de Janeiro (Fonte: BBC Brasil).
A construção de 12 centros de treinamento de diversas modalidades, 261 Centros de Iniciação do Esporte, 46 pistas oficiais de atletismo e dez instalações olímpicas no Rio de Janeiro, além da compra de equipamentos de ponta em vários Estados podem ser vistos como exemplos positivos.

"Os investimentos, superiores a R$ 4 bilhões, têm proporcionado a construção e a consolidação de uma Rede Nacional de Treinamento, com unidades que beneficiarão brasileiros em todas as regiões, contribuindo para a formação de novas gerações de atletas”, afirmou Pedro Trengrouse, especialista em Gestão, Marketing e Direito no Esporte da FGV, que foi consultor da ONU para a Copa. (Fonte: www.brasil2016.gov.br)

Em contrapartida, temos o outro lado desta mesma moeda, os aspectos negativos que a população tem manifestado em relação as Olimpíadas. Dinheiro que está sendo gasto para melhoria de estádios, centros de treinamento, poderiam ser investidos em saúde, escolas, melhorias mais efetivas para a população. Obras em atraso, que acarretaram um orçamento muito maior que o previsto, também são alvos de críticas. Além de alunos terem suas férias atrasadas por causa dos jogos. Mudanças na rotina dos cariocas, com ruas serão interditadas, impossibilitando o livre acesso não são bem vistas.Os feriados e paralisações provocadas pelos Jogos terão um impacto negativo na produção industrial e na economia como um todo. Sem contar com o possível aumento da violência em função de uma grande quantidade de turistas.

 O presidente da Federação Internacional de Vela (Isaf, na sigla em inglês) ameaçou não realizar competições dentro da Baía de Guanabara, caso medidas não fossem tomadas rapidamente para limpar o corpo d’água, descrito por velejadores como "um esgoto a céu aberto".Cinco raias estão previstas para as Olimpíadas, três dentro da Baía e duas fora, em mar aberto. Em entrevista à agência de notícias AP, Fox disse que, se não houver melhora, apenas as raias de fora seriam usadas, e que entidades da vela estão "frustradas" com a morosidade do governo do estado.

 A imprensa internacional também tem se manifestado! O jornal inglês "Daily Telegraph" diz que não há segurança no local onde os atletas vão ficar.  A rede britânica "BBC" falou como o inconveniente das instalações é ruim para o governo brasileiro. A CBC, que é uma TV do Canadá, preferiu focar nos problemas elétricos das instalações Olímpicas, e no possível choque que os esportistas poderiam levar. O site de notícias indiano "Indian Express" detonou: “Pronta ou não, a Vila Olímpica é inaugurada no Rio”.

Mal foi inaugurada, a Vila Olímpica (ou Vila dos Atletas) já apresentou problemas. A delegação da Austrália deixou o local para ir a hotéis e emitiu um comunicado em que diz: “nos prédios há cheiro de gás, vazamento de água e defeitos na eletricidade”.

"A delegação da Austrália enfrentou um problema, que é compreensível. A gente tinha que ajustar isso; e aí quis dizer que a gente queria dar um ambiente australiano [ao dizer que ia levar um canguru para a portaria do prédio]. Tenho certeza que o Comitê Organizador vai cumprir seu papel. A prefeitura está ajudando e a situação hoje é bem melhor. O prédio da Austrália, de fato, é o pior prédio. Há ajustes que têm de ser feitos", afirmou o Prefeito Paes, acrescentando que os custos extras de hospedagem dos australianos serão cobertos pelo Comitê Organizador.

Pessoas de diversos locais do mundo estarão aqui no Brasil para conhecer a cidade e conhecer um pouquinho da nossa cultura. Será difícil a adaptação ao clima e ao idioma. Dependerá dos brasileiros a recepção calorosa, seja em protestos ou em alegria e comemoração na festa olímpica!






Questão para debate:


Na sua opinião, o Rio de Janeiro está pronto em todos os aspectos para sediar os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016?



Bibliografia :


Portal Brasil. Informe-se sobre preparativos para os Jogos Olímpicos de 2016.Disponível em:http://www.brasil.gov.br/esporte/2012/04/informe-se-sobre-preparativos-para-os-jogos-olimpicos-de-2016. Acesso em: 30/07/2016.

Nova escola. Olimpíadas de 2016: um legado para o Brasil?. Disponível em: <http://novaescola.org.br/ensino-medio/olimpiadas-legado-rio-janeiro-792726.shtml>.Acesso em: 30/07/2016.

Costas, Ruth. Rio 2016: Olimpíada atrapalha ou ajuda o Brasil em recessão?. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150803_olimpiada_ru>.  Acesso em: 30/07/2016.

 

Carneiro, Júlia Dias. Em um ano, Jogos de 2016 vão de 'mais atrasados' a 'andando nos trilhos'. Disponível em:  http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/04/150428_olimpiadas_atrasos_mudancas_pai_jc >.  Acesso em: 30/07/2016.

 

Infraestrutura esportiva. Disponível em : http://www.brasil2016.gov.br/pt-br/pais-sede/investimentos-federais. Acesso em: 30/07/2016.

 

 

 

Autoria:

 

Juliana Lima de Asevêdo de Avelar Almeida / Licencianda em Ciências Biológicas

Bolsista Pibex UFRJ





Deixe seu comentário e curta nossa página no facebook:









 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Nas entrelinhas do Projeto Escola Sem Partido: mordaça ou liberdade na escola?

Na última segunda-feira,dia 18 de agosto,o senado abriu uma consulta pública sobre o Projeto de Lei 193/2016 que “inclui entre as diretrizes e bases da educação o Programa Escola sem Partido”. E o que é este programa?
Miguel Nagib, coordenador do programa, define oprojeto Escola sem Partido como uma associação informal, independente, sem fins lucrativos e sem qualquer espécie de vinculação política, ideológica ou partidária, composta por pessoas que vêm preocupadas com o grau de contaminação político-ideológica das escolas brasileiras. Os integrantes do movimento insistem que há, por parte dos professores, uma doutrinação de seus alunos, tidos como jovens vulneráveis e indefesos.



Visando o “fim desta doutrinação” o programa faz uso de redes sociais para divulgar suas propostas e “alertar” os pais e alunos sobre tal contaminação. Nas redes sociais o projeto ataca de forma agressiva os profissionais da educação, os livros didáticos e ícones da educação brasileira, como Paulo Freire, com matérias intituladas “Alunos ou reféns?”, “Síndrome de Estocolmo”, “Paulo Freire e a educação bancária ideologizada”, dentre muitas outras. Além disso, o programa vem propondo projetos de lei que alteram artigos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96). Um deles é o PL 193/2016, que discorre, no Art. 2°:
“A educação nacional atenderá aos seguintes princípios:
 I - neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado; II - pluralismo de ideias no ambiente acadêmico; III - liberdade de aprender e de ensinar; IV - liberdade de consciência e de crença; V - reconhecimento da vulnerabilidade do educando como parte mais fraca na relação de aprendizado; VI - educação e informação do estudante quanto aos direitos compreendidos em sua liberdade de consciência e de crença; VII - direito dos pais a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com as suas próprias convicções. Parágrafo único. O Poder Público não se imiscuirá na opção sexual dos alunos nem permitirá qualquer prática capaz de comprometer, precipitar ou direcionar o natural amadurecimento e desenvolvimento de sua personalidade, em harmonia com a respectiva identidade biológica de sexo, sendo vedada, especialmente, a aplicação dos postulados da teoria ou ideologia de gênero”.
Tal artigo, embora estruturado de forma muito semelhante ao Art. 3° da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional– LDBEN de 1996, claramente exclui as partes que dizem respeito ao profissional da educação. O inciso III do Art. 3° da LDBEN nos diz que um dos princípios da educação básica será o “pluralismo de ideias e concepções pedagógicas”, enquanto o inciso II do Art. 2° do Projeto Escola sem Partido - PL 193/2016 - descreve como princípio da educação básica apenas o “pluralismo de ideias no ambiente acadêmico”. De forma semelhante, o inciso III dessePL determina a “liberdade de aprender e ensinar” enquanto o inciso II da LDBEN/96 determina a “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber”.
O Escola sem Partido aponta logo no inciso I do Art. 2° a pretensa neutralidade do Estado. Mas vamos discutir: de qual neutralidade o PL trata?Essa neutralidade é possível?
O mesmo projeto exclui os incisos da LDBEN que dizem respeito a valorização do profissional da educação básica, a valorização da experiência extraescolar, a vinculação entre educação escolar, trabalho e práticas sociais, além da gestão democrática do ensino público. Qual a justificativa para tais exclusões? Isso representaria doutrinação política dos alunos?
O projeto de lei determina o “reconhecimento da vulnerabilidade do educando como parte mais fraca na relação de aprendizado”. Seria esta afirmação verdadeira? O que os leva a afirmar a vulnerabilidade dos nossos jovens? Seriam nossos alunos tão indefesos assim, sem capacidade de articulação e contra argumentação? Além disso, o projeto determina o “direito dos pais a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com as suas próprias convicções”. Qual a real possibilidade de alcançar esse objetivo? Como serão divididos os alunos nas turmas? De acordo com a semelhança das convicções de cada um?

Essa grande preocupação com a educação moral, política, religiosa do alunado, se esmiuçada, revela contradições. Não estariam as propostas do programa irrigadas também por ideologia? Não seriam estas propostas baseadas em opiniões políticas? Professores de todo país se referem ao projeto como “Lei da Mordaça” e organizaram o Movimento Nacional contra o Escola sem Partido!

Para os docentes, o Escola Sem Partido não batalha pelo fim das opiniões políticas e da difusão ideológica dentro das salas de aula. Apenas enseja a substituição destas por outras opiniões e ideologias, que seus autores julgam mais adequadas.
Ao aprovar este projeto, não estaríamos mandando por água abaixo tudo o que foi conquistado, nos últimos 30 anos de luta, no campo da educação democrática?


Manifeste a sua opinião e participe da votação na Câmara dos Deputados, através da página: https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=125666




Bibliografia:

Site do Escola Sem Partido. Disponível em:<http://www.escolasempartido.org/>.
Acesso em 20 de julho de 2016.

MANHAS, Cleo. “Escola sem partido”, escola silenciada. In: Outras Palavras, 05/07/2016. Disponível em:<http://outraspalavras.net/brasil/escola-sem-partido-escola-silenciada/
Acesso em 20 de julho de 2016.





Autoria: Maria Carolina Pires de Andrade
Licencianda em Ciências Biologicas _ UFRJ
Bolsista Pibex




Deixe seu comentário e curta nossa página no Facebook: 



segunda-feira, 11 de julho de 2016

BACTÉRIAS “SUPERPODEROSAS”: QUEM VAI VENCER ESSA BATALHA?

A resistência aos antibióticos – um processo em que eles perdem o efeito, porque as bactérias tornaram-se resistentes – está ganhando nova importância na agenda global, devido à crescente consciência da imensa ameaça que representam à saúde e à sobrevivência humanas. No entanto, ainda não há ações suficientes para enfrentar tal crise, que foi debatida no encontro dos ministros da Saúde na ONU, entre 23 e 28 de maio deste ano.
Nosso corpo vive cercado de bactérias. Elas estão por toda parte, na nossa pele, boca, intestino e nas vias aéreas superiores. Vivemos em harmonia com elas e pra falar a verdade não viveríamos sem elas. Dizemos então que somos colonizados por bactérias. Toda vez que uma bactéria tenta entrar num órgão onde ela não deveria estar, como pulmão, bexiga, ou sangue, nosso organismo aciona mecanismos de defesa que as eliminam na hora, sem muita dificuldade. Esse processo ocorre quase que diariamente no nosso corpo.
Não devemos nos automedicar, pois isso pode trazer danos para o corpo. Somente um médico para realmente saber se estamos doentes e se estas doenças são causadas por bactérias ou outros microrganismos. A gripe, por exemplo, é causada por um vírus e não adianta de nada tomar antibióticos, o que pode diminuir nossas defesas. Porém, muitas pessoas tomam medicação por conta própria, sem ir ao médico para analisar se precisa ou não de antibióticos. Quando tomamos antibióticos, esses matam não somente as bactérias que estão causando a infecção que queremos tratar, mas também grande parte das bactérias que colonizam nosso corpo. Se tomarmos múltiplos antibióticos, cada vez mais potentes,  esse ciclo se repete até o ponto em que ficamos colonizados por bactérias resistentes a literalmente todos os antibióticos.
Não só em nas nossas casas e em nosso corpo existem bactérias. Existe uma grande variedade de bactérias em hospitais, pelo grande número de doentes, por existirem vários doentes num mesmo quarto, pela falta de higiene dos profissionais de saúde, o que pode ocasionar a temida infecção hospitalar.
A discussão está em torno da dispersão desta ‘super bactéria’. O médico Osvaldo Vitorino Oliveira, especialista na área de infectologia e epidemiologia, reforça que as bactérias se manifestam apenas em hospitais e em pessoas com quebra de barreira imunológica. Conforme o médico, as bactérias têm vários mecanismos de resistência e, pelo uso dos antibióticos no ambiente hospitalar, são selecionadas as mais fortes que sobrevivem e se reproduzem.  É o caso da super bactéria KPC (Klebsiella pneumonia carbapenemase).
“Esta bactéria só atinge pacientes fragilizados e internados em hospitais, principalmente em Unidades de Terapia Intensiva. Ela pode provocar pneumonia, infecções urinárias em pacientes com sondas, e infecção de ferida cirúrgica”, afirma o médico.
 A informação foi divulgada pelo gerente-geral de Tecnologia dos Serviços de Saúde da Anvisa. Éder Murari Borba explicou que a KPC é endêmica em vários países do mundo e não há como prever quando é que a superbactéria vai surgir em determinado país.  "Nós temos essa bactéria infectando quase todas as cidades da Argentina, Estados Unidos e, no Brasil, temos casos sendo relatados desde 2005", afirmou. 
O representante da Anvisa esclareceu ainda que é quase impossível prevenir a ocorrência de um surto. O que é preciso, segundo ele, é detectar a KPC no início –  “e isso é o que foi feito no DF. Ela está sendo controlada com medidas de higienização dos hospitais e isolamento dos pacientes”, disse Éder Murari.

Fonte: Diário Catarinense



Questão para debate:


Pense como podemos minimizar o ataque de bactérias super resistentes.




Bibliografia:


ALVIM, Flávio. Superbactéria-Você sabe como ela apareceu e como combatê-la? Disponível em:<http://blog.infohealth.com.br/superbacteria-voce-sabe-como-ela-apareceu-e-como-combate-la/>.Acesso em: 27 de junho de 2016.

DIÁRIO CATARINENSE. Médico infectologista reforça que superbactéria se manifesta apenas em ambiente hospitalar. Disponível em:<http://dc.clicrbs.com.br/sc/noticias/noticia/2012/02/medico-infectologista-reforca-que-superbacteria-se-manifesta-apenas-em-ambiente-hospitalar-3678826.html>. Acesso em: 27 de junho de 2016.


PORTAL BRASIL. Anvisa anuncia medidas para conter superbactéria KPC. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/saude/2010/10/anvisa-anuncia-medidas-para-conter-superbacteria-kpc>. Acesso em: 27 de junho de 2016.





Autoria :Juliana Lima de Asevêdo de Avelar Almeida. / Licencianda em Ciências Biológicas. Bolsista PIBEX



Curta nossa página no facebook:












quarta-feira, 6 de julho de 2016

Produção do conhecimento científico: estaria o nosso método ultrapassado?



Para que um novo conhecimento seja aceito pela comunidade científica, pesquisadores devem redigir uma primeira versão de seus resultados sob a forma de artigo contendo todo o processo de elaboração científica, com observação, construção da hipótese ou hipóteses, experimentação – os materiais e os métodos, bem como apresentar o protocolo utilizado –, resultados, conclusões e apresentação da teoria. Essa primeira versão do artigo é chamada de “preprint” e deve ser encaminhada à revista na qual deseja-se que o trabalho seja publicado. Nesta fase, é comum os pesquisadores zelarem pelo sigilo de seus resultados, isto é, não os divulgam abertamente.



Após a submissão do preprint, o trabalho passa por um processo chamado de “revisão por pares” no qual os pareceristas da revista vão analisar toda a construção do artigo; o protocolo, os materiais, se os resultados são condizentes e possíveis tendo como base os experimentos realizados, se as conclusões descritas são coerentes com os resultados obtidos, se o espaço amostral foi respeitado, dentre outros detalhes. Após esta fase o artigo pode ser aceito e publicado, ou ser enviado de volta ao pesquisador para que ajustes sejam feitos e, depois disso, o trabalho pode ser aceito e publicado ou recusado.
Esta estrutura de divulgação de novos conhecimentos científicos é respeitada desde o século XX e é tida até hoje por muitos pesquisadores como essencial para a confiabilidade dos novos conhecimentos científicos. Entretanto, muitos cientistas, dentre eles os físicos e biólogos, vêm adotando uma nova estrutura de divulgação de suas pesquisas, na qual o preprint é divulgado online antes de passar pelo processo de revisão que descrevemos. Alguns pesquisadores explicam que “o escrutínio da comunidade contribuiu para aprimorar detalhes que não haviam despertado a atenção dos revisores”, justificando que o acesso da comunidade ao preprint tem colaborado para o avanço da pesquisa e para o aprimoramento de sua publicação.
Seria essa “inversão na ordem” um novo modelo de divulgação científica? Como lidar com as possíveis fraudes e má conduta da própria comunidade científica? De que forma a divulgação de um possível resultado “incorreto” afetaria a população de forma geral? Experimentos feitos por apenas um grupo de pesquisadores são suficientes para transformar uma hipótese em teoria? Não seria diferente o impacto desse novo modo de divulgação entre pessoas possuidoras de níveis de conhecimento distintos? Além disso, como seria para os autores dos resultados se outros colegas de profissão publicassem seus resultados sem o seu consentimento? Que impactos essas situações trariam às comunidades científicas? E as revistas científicas, estariam de acordo com esse novo método?


Questões como estas e outras precisam ser discutidas não só pela comunidade científica como por toda a população que a financia, uma vez que não sabemos quem poderá ser afetado por essa possível mudança no processo de construção e divulgação da ciência.
Discuta com seus alunos, informe-os sobre essa possível mudança e faça-os ponderar sobre possíveis ônus e bônus dessa “modernização” da construção do conhecimento científico.

 

Bibliografia

Esteves, Bernardo. Biólogos aderem à publicação de resultados sem revisão. Disponível em : <http://piaui.folha.uol.com.br/questoes-da-ciencia/biologos-aderem-a-publicacao-de-resultados-sem-revisao/>. Acesso em : 03 de julho de 2016.

Proficência. História do método científica. Disponível em:  <http://www.proficiencia.org.br/article.php3?id_article=489>. Acesso em: 03 de julho de 2016.

 


Autoria: Maria Carolina Pires de Andrade (Licencianda em Ciências Biológicas/ UFRJ/ Bolsista PIBEX).




Curta nossa página no facebook: 


sexta-feira, 24 de junho de 2016

Consumo da droga do humor: necessidade ou exagero?

No Brasil, em 1973, foi lançado um medicamento para amenizar os efeitos da epilepsia, o Rivotril. A droga passou a ser usada como tranquilizante, principalmente por apresentar benefícios em relação a outros medicamentos usados na época. O clonazepam, princípio ativo do medicamento Rivotril, do laboratório farmacêutico Roche, pertence à classe farmacológica das benzodiazepinas, que agem diretamente sobre o sistema nervoso central, afetando a mente e o humor. Em pouco tempo esse medicamento se tornou um dos mais requisitados em farmácias e já esteve em segundo lugar na lista dos mais vendidos no país. Entre agosto de 2011 e agosto de 2012, o medicamento foi o  8º mais consumido no Brasil. No ano seguinte, o seu consumo ultrapassou os 13,8 milhões de caixas. Em 2015 foram 18 milhões de caixas vendidas (Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA).

O Rivotril é um medicamento “tarja preta”, ou seja, tem seu uso controlado e sua venda só é permitida com receita médica em função de seus efeitos colaterais, além disso, o seu consumo excessivo pode gerar dependência química, conforme a bula: “o uso de benzodiazepínicos pode levar ao desenvolvimento de dependência física e psíquica”.
                                                                                                     http://www.hypeness.com.br/

Mas se o Rivotril é um medicamento tarja preta, como se tornou o medicamento da moda?

O Rivotril pode ser a solução em casos de controle de distúrbios epilépticos e casos graves de transtornos de ansiedade, como a Síndrome do Pânico. Porém seu uso apresenta altos índices de dependência e efeitos colaterais que incluem depressão, alucinações, amnésia, tentativas de suicídio e dificuldades para articular a fala.
Entretanto, com sua popularização, o remédio hoje é usado como o medicamento capaz de curar qualquer problema do dia-a-dia, principalmente entre executivos que sofrem muita pressão no trabalho, crianças e jovens hiperativos, muitas vezes de forma ilegal, sem a receita médica.
 “Comecei a tomar o Rivotril por indicação médica, inicialmente contra crises de pânico, fobia social e insônia aliado ao uso de fluoxetina contra depressão. No início foi ótimo, como tinha dificuldade de fazer provas e ir à faculdade, o medicamento me tranquilizava. O que era para ser de maneira esporádica passou a ser frequente, passei a tomar o Rivotril para insônia antes mesmo de tentar dormir. Após o uso excessivo e diante de uma crise no final de um semestre acabei sendo internado em uma clínica por uma semana...”.
O depoimento é do jovem Alexandre (nome fictício) que acrescenta que teve acompanhamento psiquiátrico durante todo o tempo de consumo do medicamento e, após internação, preferiu a terapia cognitiva como aliada contra as crises de pânico e a insônia.

Segundo Maurício Viotti Daker, professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da UFMG, não se deve, de forma alguma, desmerecer a condição de quem realmente precisa fazer uso desses remédios:
“Depressão é uma doença e não deve ser confundida com a tristeza, sentimento comum que nos acomete. O clonazepam atua imediatamente e traz um alívio imediato para situações de fortes crises para quem sofre de um mal psíquico e pode estar à beira de fazer alguma bobagem contra si mesmo. Mas não se deve esquecer do seu potencial de gerar dependência. É algo que já tem que ser colocado como temporário, um tratamento com duração de duas a três semanas, até começa a reduzir ou usar só nas crises”, orienta o professor.

Em contrapartida a Roche, fabricante de Rivotril (clonazepam), esclarece que as vendas do medicamento permanecem estáveis nos últimos anos no Brasil, embora a classe terapêutica CT4 e a substância clonazepam tenham crescido recentemente. A companhia reitera que somente o médico pode prescrever o medicamento, por meio de uma receita retida e controlada pela ANVISA, considerando as necessidades médicas de cada paciente. 

Para debate:

Gostaríamos de saber a sua opinião: medicamentos são drogas que podem produzir efeitos colaterais, o Rivotril, por exemplo, pode causar sonolência, desatenção, dificuldade de compreensão, então o que justificaria seu uso exagerado em crianças e jovens em idade escolar?






Bibliografia:
Tarja preta x tarja vermelha:  entenda as diferenças. Disponível em: <http://www.hipolabor.com.br/blog/2014/07/17/tarja-preta-x-tarja-vermelha-entenda-diferencas/ >. Acesso em: 20/06/2016.   
DUTRA, Mari. Rivotril, um dos remédios mais vendidos do Brasil e que é uma febre entre executivos. Disponível em: <http://www.hypeness.com.br/2015/01/rivotril-como-um-remedio-tarja-preta-se-tornou-um-dos-mais-vendidos-do-brasil/>.  Acesso em: 20/06/2016.
FRANÇA, Bárbara. Nação Rivotril. Disponível em: <http://www.otempo.com.br/pampulha/reportagem/na%C3%A7%C3%A3o-rivotril-1.1180024>. Acesso em: 20/06/2016.

MATUOKA,  Ingrid. Rivotril, a droga da paz química. Disponível em:  .  Acesso em: 20/06/2016.



Autoria : Juliana Lima de Asevêdo de Avelar de Almeida /
 Licencianada em Licenciatura em Ciências Biológicas. Bolsista Pibex/Ufrj.















quarta-feira, 15 de junho de 2016

Gastos desnecessarios ou investimento importante para as Olimpiadas?


Estamos bem próximos das Olimpíadas 2016, e os diversos acontecimentos que temos presenciado nos levam a pensar sobre a situação de instabilidade política em que o país se encontra e no evento de amplitude internacional que está prestes a acontecer, em agosto de 2016.
Não é novidade para o brasileiro que o país tem sofrido uma grave crise econômica e social. Em estado precário estão a saúde e as redes de ensino públicas, ambas com grandes cortes de orçamento. Outras áreas têm sido impactadas pelas obras de infraestrutura, como transporte urbano e mobilidade na cidade que sediará os eventos.
Segundo os organizadores essas obras foram feitas para ajudar o país, gerando renda para o turismo, empregos diretos e indiretos, investimentos em equipamentos públicos - vias públicas, VLT (veículo leve sobre trilhos) e outros. Andando pela cidade sede – Rio de Janeiro -, vemos o crescimento da infraestrutura esportiva para o treinamento dos atletas nacionais. Com equipamentos de ponta, o treinamento desses atletas poderá melhorar, mesmo após os jogos.
Em janeiro de 2014, um relatório preliminar da Universidade Federal do Rio de Janeiro, encomendado pelo Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos, defendia que o evento poderia proporcionar "benefícios para as economias local, regional e nacional, ao estimular investimentos incrementais e estruturais”. Outro estudo realizado pela Fundação Instituto de Administração (FIA) a pedido do Ministério dos Transportes indicava U$51 bilhões em movimentação de capital e a possibilidade de 120 mil vagas de empregos.

Complexo de estádios do Recreio/RJ - fonte: oglobo.globo.com

Porém, é possível observar que houve também redução de linhas de ônibus e as interdições das vias públicas, principalmente no Centro da cidade por causa das obras, e que se tornaram um transtorno para o carioca. A exclusividade do evento a cidade do Rio também limita os retornos financeiros para o país, pois apenas alguns jogos de futebol não serão no RJ. Com toda a insatisfação pública com os gastos excessivos do governo, existe também a possibilidade dos brasileiros utilizarem o evento para manifestarem sua indignação. Surge então a probabilidade do ato ser mal recebido por turistas e abalar a imagem da cidade olímpica, num momento de campanhas políticas e disputas pela presidência do país e dos cargos municipais.
Mas com todos os prós e contras, porque foi considerado importante que o país sediasse grandes eventos como Copa, Olimpíadas e Paraolimpíadas? Sediar um evento de tamanha importância garante que se ganhe visibilidade e poder na disputa por recursos nacionais e internacionais, visando o desenvolvimento da economia local. Mas será que isso irá acontecer realmente?

QUESTÃO PARA DEBATE:
Você acha que é possível que o país se reestabeleça e consiga receber bem os turistas, além de ter retorno financeiro? Se sim, qual seria?


REFERENCIAS:

COSTAS, Ruth. BBC BRASIL. RIO 2016, Olimpíada atrapalha ou ajuda o Brasil em recessão? . Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150803_olimpiada_ru>

Recessão deve ofuscar benefícios da Olimpíada, dizem especialistas <http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2016/01/04/internas_economia,512704/recessao-deve-ofuscar-beneficios-da-olimpiada-dizem-especialistas.shtml>


Estudo mostra impacto das Olimpíadas na economia brasileira. Disponivel em:


Autoria :

Jacykaysla Pacheco da Silva -  Bacharel em Ciencias Biologicas/ Bolsista Pibex


                                            

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Semana do Meio Ambiente

Nesta semana do Meio Ambiente não temos o que festejar. Em fins de 2015   fomos vítimas do maior desastre ambiental da história do Brasil. Desastres como o de Mariana (MG), provocado pelo lucro a qualquer preço, NOS DEIXAM DE LUTO E IMPEDIDOS DE COMEMORAR! Como nosso blog é dirigido aos professores e aos jovens, resolvemos não deixar a data passar em branco e postar a sugestão de mais um debate rico em controvérsias e contradições, debate que pode abrir mentes e corações, que pode gerar consciência do que tem se tornado a indústria da morte de trabalhadores e das belas modelos, da riqueza de poucos a custo da miséria de muitos, da poluição do solo e da submissão do campo. Falamos da indústria têxtil, ou melhor, da indústria da moda rápida, descartável, do consumo obsceno de roupas, que descarta toneladas de peças a todo instante.


Cristina Boeckel/G1

Sugerimos assistir o vídeo legendado The True Cost, em português, O VERDADEIRO CUSTO, produzido em 2015, pelo cineasta e fotógrafo Andrew Morgan. Com personagens como a fashionista Safia Minney e a jovem trabalhadora e sindicalista Shima Akhter, personagens como o liberal defensor da indústria têxtil Benjamin Powell e a fazendeira texana Lahrea Pepper. Assista o vídeo e tome uma posição! E que venham melhores dias para o planeta, e para todos nós!


Veja o trailer do filme no link: https://www.youtube.com/watch?v=DjncKUmpOZk

Ou se cadastre no site e veja o filme na íntegra: http://www.filmesdetv.com/the-true-cost-2015.html


Curta nossa página no facebook e deixe seu comentário :














x