Get me outta here!

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

QUEM PAGA PELA EDUCAÇÃO?


Afinal, quem paga pela educação? Quanto é investido em educação no Brasil? Esse valor é suficiente para atingirmos a necessária educação pública de qualidade?

A questão que envolve os investimentos governamentais com educação sempre gera muitos debates e manifestações por parte dos movimentos sociais, principalmente pela posição que o Brasil ocupa no ranqueamento da educação mundial, pelas sucessivas greves dos profissionais da educação – que reivindicam salário digno e condições de trabalho -, pelas mobilizações e debates sobre o Plano Nacional de Educação 2010-2020 (PNE) e por conta das reformas do Ensino Médio que apontam para um questionável currículo mínimo, já implantado no estado do Rio de Janeiro. A fala do ministro recém nomeado – “Professor deveria trabalhar por amor e não por dinheiro” – suscitou indignação entre os profissionais da educação. 




Analisando os investimentos públicos em educação (tabela abaixo) verifica-se que a marca dos 10% do PIB, reivindicação bem antiga dos movimentos sociais, ainda não foi alcançada.

Veja o que significa Produto Interno Bruto (PIB): é a soma de todos os bens e serviços gerados em determinado país. É utilizada para indicar a atividade econômica de determinada região (Fonte: http://www.brasilescola. com/ economia/pib.htm).




Nos dias atuais, na capital brasileira, quem paga a educação não é só o Governo do Distrito Federal (GDF), também são os alunos e os trabalhadores. Segundo justificativas, Brasília está em uma condição econômica ruim, atrasando, além dos salários dos servidores da saúde e do transporte, também o salário dos servidores da educação. Devido a esses atrasos diversos servidores foram pras ruas em protesto. Segundo o Sindicato dos Professores (SINPRO), cerca de 40 mil servidores aposentados e da ativa estão sem receber salários. Como consequência do não pagamento paralisaram as aulas nos colégios públicos. Os trabalhadores subiram as rampas do Palácio do Buriti com cartazes e palavras de ordem, ruas e avenidas foram ocupadas pelos manifestantes.  No dia 10 de dezembro, houve acordo e os professores voltaram ao trabalho, segundo o Governo: 

"o atraso de pagamentos não é uma excepcionalidade do Governo do Distrito Federal. O Brasil enfrenta baixo crescimento da economia, mas o pagamento dos salários foi independente das manifestações”.

Apesar do acordo, as aulas que deveriam começar no dia 09 de fevereiro deste ano (2015) foram adiadas para o dia 23, segundo o GDF. Essa declaração foi feita logo após professores ameaçarem novo protesto devido ao descumprimento do acordo. O GDF declarou que o atraso é devido à necessidade de reforma e reposição de insumos, e nada disse sobre o atraso dos salários. “Na última segunda-feira (6 de janeiro), os professores protestaram em frente ao Palácio do Buriti, cobrando o pagamento do salário de dezembro, o 13º salário e as férias”. (Fonte: Agencia Brasil)

Em 2013 foi sancionada em cerimônia no Palácio do Planalto, a lei que destina 75% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação (Lei nº 12.858, de 9 de setembro de 2013). O projeto final foi aprovado na Câmara no mês de agosto, depois de ter sido votado no Senado. O primeiro repasse, de R$ 770 milhões, deveria ser feito ainda em 2013; chegando a R$ 19,96 bilhões, em 2022, e a um total de R$ 112,25 bilhões em dez anos. Segundo o ministro da Educação na época da assinatura da lei, Aloizio Mercadante:

“Esta é a receita mais promissora do Estado brasileiro. É a vinculação mais estratégica que o país podia fazer. Os royalties vão preparar o Brasil para o pós-petróleo. O petróleo acaba e as futuras gerações não terão essa riqueza. Acho que essa é a maior vitória das futuras gerações em todo o período recente da historia do Brasil”.

Apesar dos dados que indicam o crescimento no investimento direcionado à educação, o que vemos hoje é que as escolas, em sua maioria, possuem ainda situação precária. Muitas sofrem com a falta de profissionais qualificados, materiais didáticos de boa qualidade a disposição dos alunos, infraestrutura predial, dentre diversos outros problemas. Em grandes centros econômicos vemos algumas escolas denominadas “modelo”, onde é possível crer que o investimento de fato foi aplicado. Essa diferença é evidente quando se faz uma comparação entre uma capital e uma cidade um pouco menor. Podemos observar que apesar de existir investimento, esse não é bem distribuído por toda as regiões do país.

“Mais investimentos e planejamento educacional mais qualificado são as chaves para que o Brasil possa avançar na educação, facilitando o crescimento econômico e o desenvolvimento”, foi uma das advertências feitas por quatro especialistas que participaram, na tarde da quarta-feira (23/12/2014), da audiência pública promovida pela comissão temporária especial destinada a debater e propor soluções para o financiamento da educação (Fonte: http:// www12.senado.gov.br/noticias/). 

Até quem lucra muito com a educação mercadoria, a diretora executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, afirma: "O Brasil investe pouco e ainda tem poucos resultados diante do que é investido. Ainda temos um desafio enorme, não cumprimos nem a agenda do século passado, pois ainda temos crianças fora da escola e qualidade ruim". "Visitando algumas escolas, fica-se horrorizado com a situação. Temos um descaso histórico com a educação e isso faz com que haja dívidas que o sistema tem que cobrir" (Fonte: http://www.ebc.com.br/educacao/2013/09/apesar-de-mais-altos-investimentos-em-educacao-ainda-sao-mal-distribuidos-aponta).

Além das diferenças de distribuição dos investimentos por região podemos notar também a diferença entre os diferentes graus de ensino, afirmou em entrevista o ex-ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Em 2010 o valor investido em Educação Superior era 4,8 vezes maior do que o valor investido na educação básica (Fonte: Agencia Brasil). Sabemos que para que o aluno ingresse na educação superior e tenha êxito na conclusão ele precisa primeiramente ter um bom desempenho nos níveis anteriores e uma educação básica sem deficiências, o que acaba não ocorrendo devido a atual forma de distribuição dos investimentos.  

Outro grande problema se refere ao repasse de dinheiro que o governo federal faz aos estados e municípios, e que deve chegar às secretarias municipais de educação. Se esse dinheiro não chega às escolas, a falta de condições persiste. Por outro lado, quando o dinheiro chega, se ele não for bem usado, por falhas na administração das instituições de ensino públicas, as condições mínimas para seu funcionamento não são alcançadas.

Após diversas mobilizações, em 2012 e 2013, a presidente Dilma Roussef declarou que realizaria a reforma política pedida pela população, e junto com a reforma política viria o aumento dos investimentos em educação. Entretanto, é a população que paga para que existam esses investimentos, e isso reflete diretamente no bolso do trabalhador, se ocorrer pela via do aumento de impostos.

O atual cálculo de investimentos em educação está em cerca de 5,3% do PIB (Fonte: Portal Brasil). Em junho de 2014 foi aprovado pelo Congresso Nacional o PNE, que prevê sejam aplicados, no mínimo, 10% do PIB em educação para os próximos 10 anos. Esse investimento, porém, será alcançado de forma gradual, aumentando para 7% até o quinto ano e 10% até 2020.  

Entretanto, em 08 de janeiro, Dilma Rousseff fez um corte provisório no orçamento dos gastos administrativos, incluindo a pasta da educação. O Ministério do Planejamento informou que o corte foi proporcional aos gastos de cada pasta. “Como o maior orçamento na parte discricionária é da Educação, proporcionalmente, acabou representando um valor maior que os demais órgãos”, explicou.



Em seu discurso de posse a presidenta colocou a educação no centro de sua gestão. Seu lema: “Brasil, Pátria educadora!” Vamos acompanhar?

                DEBATENDO...


  • Você acha que o investimento atual em educação tem sido suficiente para alcançarmos qualidade na educação brasileira?


  • Na imagem abaixo vemos alunos lutando pela melhoria da merenda escolar. Que luta seria importante ser travada para a melhoria da educação em sua escola? Elabore frases para uma “manifestação” com seus colegas!




Assista abaixo o vídeo da AEPET Nacional sobre a situação da educação no Brasil, uma entrevista de Paulo Passarinho com Marcos Lamarão.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



  • SRI, Secretária de Relações Institucionais. Brasil vai Aplicar 10% do PIB em Educação. http://www.brasil.gov.br/governo/2014/06/brasil-aplicara-10-do-pib-em-educacao
  • CASTRO, Augusto. Agencia Senado. Investimentos Insuficientes e mal Geridos. http:// www12.senado.gov.br/noticias/materias/2013/10/23/investimentos-em-educacao-sao-insuficientes-mal-distribuidos-e-mal-geridos-dizem-especialistas).


AUTORIA:

Carlos Victor Dourado Batista - Bacharelando em Ciências Biológicas
Jacykaysla Pacheco da Silva - Licenciatura em Ciências Biológicas (Instituto de Biologia -UFRJ)


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

EBOLAVÍRUS: A AMEAÇA PERMANECE?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2014) o vírus Ebola provoca uma doença aguda, grave, que muitas vezes é fatal se não tratada. A doença do vírus Ebola  apareceu pela primeira vez em 1976, em dois focos simultâneos, um em Nzara, no Sudão, e o outro em Yambuku, na República Democrática do Congo, seguido pelo foco em uma vila perto do Rio Ebola, que acabou por batizar a doença.


O atual surto na África Ocidental, cujos primeiros casos foram notificados em fevereiro de 2014, é o maior e mais complexo surto de Ebola verificado, com mais casos e mortes neste surto do que em todos os anteriores. O vírus se espalhou entre os países que começam na Guiné, em seguida, espalhou-se para além das fronteiras terrestres, atingindo Serra Leoa e a Libéria. Nestes países, entre fevereiro e agosto matou mais de 1.000 pessoas. Por via aérea (apenas 1 viajante disseminou este foco da doença)  chegou à Nigéria, e por terra (também levado por 1 viajante) atingiu o Senegal. Um surto isolado, não relatado do Ebola começou em Boende, Equateur, uma parte isolada da República Democrática do Congo.

Os países mais severamente afetados - Guiné, Serra Leoa e Libéria - têm sistemas de saúde insuficientes para impedir a doença, não dispõem de recursos humanos e de infra-estrutura, tendo apenas recentemente emergido de longos períodos de guerra civil e de instabilidade política. Em 8 de agosto de 2014, a Chefe da OMS declarou este surto “é uma “emergência de saúde pública internacional, que exige uma resposta extraordinária para ser contido”. “Os países afetados até o momento simplesmente não têm a capacidade de gerenciar um surto desta dimensão e complexidade por conta própria", disse Margaret Chan.

A família de vírus Filoviridae inclui três gêneros: Cuevavirus, Marburgvirus e Ebolavirus. Existem 5 espécies que foram identificadas: Zaire, Bundibugyo, Sudão, Reston e Floresta Tai. O três primeiros, Bundibugyo ebolavirus, Zaire ebolavirus e Sudão ebolavirus têm sido associados com grandes surtos na África. O vírus que vem causando o surto, em 2014, no Oeste Africano pertence à espécie Zaire (OMS, 2014).


Imagem: Organização Panamericana de Saúde


O vírus ebola é transmitido através do contato direto com fluidos corporais (sangue, urina, fezes, saliva etc), com a pele de pessoas ou animais infectados e pelo contato indireto em ambientes que foram contaminados (lençóis, roupas etc). Provoca febre, hemorragias, vômitos e diarreia. No dia 5 de janeiro a OMS afirmou que 8.153 pessoas morreram, de 20.656 casos conhecidos  na Libéria, Serra Leoa e Guiné.

VanRooyen professor de saúde global e da população na Harvard School of Public Health e Dyann Wirth diretora do Harvard Malaria Initiative afirmaram que é provável que os casos não tratados de Ebola cheguem aos Estados Unidos e a outros países desenvolvidos, mesmo se espalhando entre um pequeno número de indivíduos.  Já a União Europeia classificou o risco de propagação do Ebola no continente europeu como fraco, e afirmaram que no caso de contaminação estão preparados para enfrentá-lo.

Embora o Ebola tenha sido identificado pela primeira vez em 1976, a atual epidemia destacou lacunas no conhecimento sobre a doença, disse o Dra. Wirth. Ela vem trabalhando em uma vacina contínua, mas ressaltou que as escolhas difíceis pela frente serão sobre onde colocar recursos limitados de saúde pública. Tal fato se destaca a partir da crise financeira mundial e dos cortes nas verbas para saúde pública. Embora a epidemia tenha chamado atenção do mundo e de ter superado de longe o número de vítimas e infectados anteriores com o Ebola, o número de mortos continua a ser relativamente pequeno em comparação com outras doenças infectocontagiosas.

A malária, por exemplo, já matou cerca de 300.000 a 400.000 crianças com menos de 5 anos de idade apenas nos meses do atual surto de Ebola, disse a Dra. Wirth. E afirma que os líderes globais de saúde vão continuar a equilibrar as prioridades entre as necessidades já existentes na área de saúde e de novas doenças, como Ebola e SARS.

 “O Ebola está matando pessoas neste momento, mas também a malária, o HIV, a diarreia em crianças, assim também como as complicações relacionadas com a gravidez", disse Lynn Black, presidente do conselho de administração da Last Mile Health. “A questão é se o confronto com o ebola vai realmente fortalecer os sistemas de saúde”.

Paul Farmer, professor de Harvard, que trabalhou nas regiões mais pobres do Haiti, África, e outras partes do mundo, afirma:

“ninguém deveria estar morrendo de Ebola. Se tivéssemos o pessoal, material e sistemas adequados de saúde, poderíamos levar cuidados médicos e tratar os doentes. Afinal, até o momento, a maioria dos americanos atingidas pelo Ebola sobreviveram”.
O que acelerou a propagação da doença, de acordo com Farmer, foi a falta de um sistema de saúde que pudesse prestar assistência adequada. Cerca de 90 a 95% da Libéria não tem eletricidade, e há uma "enorme quantidade de trabalho a ser feito para obter os sistemas de saúde, mesmo para um nível medíocre”, afirmou. "Surtos são inevitáveis. As epidemias são opcionais”, conclui Farmer, citando o médico americano Larry Brilliant, que ajudou a liderar os esforços globais para erradicar a varíola.


QUESTÃO PRA DEBATE


Uma mulher que tinha viajado para região onde o vírus é disseminado ficou doente com febre e dor nas articulações. A mulher foi para uma clínica local e ao ver os sintomas e histórico de viagem da mulher, os médicos chamaram a polícia, o que a levou a fugir da clínica. A mulher morreu uma semana depois. Depois disso, sua irmã, marido e filho desenvolveram os sintomas do Ebola. Eles foram para um hospital do governo, e quando os médicos decidiram colocá-los em quarentena, o marido e o filho fugiram, atravessando a fronteira para a Guiné.

A partir desse caso discuta como a relação entre prevenção e informação pode ajudar no combate ao Ebola e a outras doenças infecto contagiosas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  • World Health Organization. Ebola virus disease. Disponível em: <http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs103/en/>. Acesso em: 5 de Jan 2015.
  • POWELL, Alvin; Harvard Staff Writer. Harvard Gazette. Ebola’s ripple effects. Disponível em:<http://news.harvard.edu/gazette/story/2014/09/ebolas-ripple-effects/?utm_source=SilverpopMailing&utm_medium=email&utm_campaign=09.11.2014%20%281%29>. Acesso em: 18 de Dez 2014.
  • POWELL, Alvin; Harvard Staff Writer. Harvard Gazette. Fewer clinics, less care. Disponível em:<http://news.harvard.edu/gazette/story/2014/08/fewer-clinics-less-care/?utm_source=SilverpopMailing&utm_medium=email&utm_campaign=08.18.2014%20%282%29>. Acesso em: 18 de Dez 2014.
  • POWELL, Alvin; Harvard Staff Writer. Harvard Gazette. Confronting Ebola. Disponível em:<http://news.harvard.edu/gazette/story/2014/09/together-against-ebola/?utm_source=SilverpopMailing&utm_medium=email&utm_campaign=10.01.2014%20%281%29>. Acesso em: 03 de Jan  2015.
  • POWELL, Alvin; Harvard Staff Writer. Harvard Gazette. Epidemics are optional. Disponível em: < http://news.harvard.edu/gazette/story/2014/12/epidemics-are-optional/?utm_source=SilverpopMailing&utm_medium=email&utm_campaign=12.11.2014%201>. Acesso em: 03 de Jan  2015.


Assista este vídeo para esquentar o debate:

http://mais.uol.com.br/view/15142843







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                                Autoria

                Carlos Victor Dourado Batista - Bacharelando em Ciências Biológicas 
                 Juliana Lima de Asevedo de Avelar Almeida  - Licencianda em Ciências Biológicas 
                 Instituto de Biologia - UFRJ










segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Canabidiol: algumas faces da polêmica sobre a “droga” do amanhã





http://www.vozdabarra.com.br/deputados-
uruguaios-aprovam-legalizacao-da-maconha
/
Durante séculos o homem usou ervas para tratar as enfermidades que o acometia, além de usá-las em rituais. Com o advento da indústria elas passam a ser distribuídas em grande escala como remédios. Assim sendo, o homem vem utilizando mais e mais essas drogas, o que sabemos é que algumas podem levar a dependência química, fazendo com que sejam utilizadas de forma ilícita, para satisfação pessoal, como no caso da maconha. Em alguns países essa droga é liberada para a venda e para o cultivo, podendo ser usada para consumo e tratamentos. Aqui no Brasil ela é proibida, pois ainda é considerada uma droga ilícita.


As drogas medicinais, que conhecemos como remédios, podem aliviar sintomas de doenças e até mesmo combatê-los. Para que elas possam ser vendidas, os fabricantes em seus laboratórios precisam comprovar que são seguras para consumo e que possuem um real efeito terapêutico.

Recentemente, divulgou-se o potencial medicinal de um composto químico, o canabidiol (CBD), extraído da Cannabis sativa, popularmente chamada de maconha, marijuana ou baseado que, segundo estudos, além de ajudar no tratamento de alguns problemas de saúde como ansiedade, insônia, dor neuropática, epilepsia e crises convulsivas, por exemplo, auxilia também no tratamento do autismo e do câncer, diminuindo a aplicação da quimioterapia e da radioterapia no paciente, além de minimizar os seus efeitos colaterais - náuseas e vômitos. A empresa de biotecnologia estadunidense "Cannabis Science" demonstrou propriedades de inibição de metástases, principalmente para o câncer de mama, pelo fato de que o canabidiol conseguiu impedir a expressão excessiva do ID-1, gene que permite o deslocamento de células entre tecidos distantes, evitando assim que células tumorais espalhem-se pelo corpo.




Um estudo publicado na "Nature Reviews - Cancer" fornece uma explicação histórica e detalhada sobre como o THC (principal psicoativo da maconha) e os canabidióis naturais que combatem o câncer e preservam as células normais. Por esse motivo, em vários países o seu uso medicinal já foi legalizado. “A maconha tem uma variedade de componentes que geram efeitos farmacológicos, ela possui efeito anti-inflamatório, analgésico, estimulador, sedativo e diminui a pressão intraocular, náuseas, espasmos musculares e cólicas”, afirma o pesquisador e neurobiólogo, da Universidade de Brasília, Renato Malcher Lopes.
Para o membro da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia, Vladimir de Andrade Stempliuk, o Conselho apoia a regulamentação do uso da maconha. Para Vladimir,

“A proibição das drogas tem sido o argumento principal para a criminalização da pobreza, do extermínio e encarceramento massivo da juventude pobre e negra. Defendemos em contrapartida a descriminalização das substâncias psicoativas e a garantia dos direitos das pessoas que fazem o uso dessas substâncias, inclusive quando necessário serem atendidas na rede de atenção psicossocial.”

Estudo do economista Jeffrey A. Miron, da Universidade de Harvard, realizado em 2008, estimou que “a legalização das drogas e a formalização do mercado das drogas injetariam US$ 76,8 bilhões por ano somente na economia dos Estados Unidos. Desse total, US$ 44,1 bilhões seriam poupados de ações policiais do Estado. Outros US$ 32,7 bilhões poderiam ser arrecadados na forma de impostos”.

No Brasil a ANVISA ainda não legalizou o uso medicinal da erva Cannabis, pois ainda não possui conhecimento suficiente sobre seus efeitos colaterais e a dosagem adequada em pacientes para o tratamento de enfermidades. Afinal, a maconha ainda é mais conhecida pela sua ação psicótica e viciante. Quando não é usada na dosagem adequada e sob prescrição médica, pode levar a sérios danos na saúde como morte de neurônios, perda de memória, taquicardia, aumento da pressão arterial, redução dos reflexos, dentre outros.

Na opinião de Emmanuel Fortes, psiquiatra e representante da Associação Brasileira de Psiquiatria, a proposta de liberação da maconha é simplista. “Falar em liberação de droga no Brasil é piada. O Brasil não controla nem a venda de cola de sapateiro, de bebida alcoólica a menores. Não vai controlar maconha, crack ou cocaína”. Outro argumento do psiquiatra aponta que: “é impossível saber de antemão quem tem esquizofrenia latente ou psicose maníaco-depressiva, por exemplo, e quem pode desenvolver essas doenças por conta do contato com as drogas”. 
Infelizmente, pais que utilizam a droga para o tratamento de seus filhos, têm que conseguir a Cannabis de forma ilegal. Além disso, há a preocupação de que a droga venha misturada a outros componentes, podendo dificultar ainda mais o uso para tratamento médico. Sendo assim, a sua liberação para o uso terapêutico envolveria mudanças culturais, econômicas e legais. Outros questionamentos: como ocorreria o processo de liberação? Por exemplo, onde ela seria vendida? Quem poderia comprar? Qual a quantidade máxima a ser vendida ao consumidor? Como seria a fiscalização de sua prescrição e venda?




Questões para o debate:

Pense na frase e na imagem abaixo e tome uma posição:
“Acredita-se que o Brasil não esteja ainda preparado para a legalização, pois legalizar não é o mesmo que liberar”.





Assista o vídeo legendado Cannabis Cura Cancer! Ele fala do estudo publicado na revista "Nature Reviews-Cancer”. Disponível também em: http://www.youtube.com/watch?v=cOTMW3HVdCU.





Referências:

ALBERTS, Bruce; et. al. Biologia Molecular da Célula. Porto Alegre: Artmed, 2010. p.G-23.

BAPTISTA, Rodrigo. Especialistas defendem uso medicinal da maconha. 06 de Set. 2014. Disponível em: <http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2014/08/25/ especialistas-defendem-uso-medicinal-da-maconha>. Acesso em: 21 de nov. 2014.

BRASIL. Oposta à política atual, legalização das drogas é polêmica. Disponível em:<http://www.senado.gov.br/noticias/jornal/emdiscussao/dependencia-quimica/mundo-e-as-drogas/oposta-a-politica-atual-legalizacao-das-drogas-e-polemica.aspx>. Acesso em: 26 de nov. 2014.


CANNABIS SCIENCE. NBC News Reports that Cannabidiol (CBD) "Turns Off" the Cancer Gene Involved in Metastasis Findings by Scientists at California Pacific Medical Center gives Scientific Support for Cannabis Science Initiatives. 20 Setembro 2012. Disponível em: <http://www.cannabisscience.com/news-media/news-archive/190-nbc-news-reports-that-cannabidiol-cbd-turns-off-the-cancer-gene-involved-in-metastasis-findings-by-scientists-at-california-pacific-medical-center-gives-scientific-support-for-cannabis-science-initiatives>. Acessado em: 26 de nov. 2014.

YANO, Célio. Mais uma aplicação medicinal para a maconha. In: Ciência Hoje on line. 2011. Disponível em :http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2011/09/mais-uma-aplicacao-medicinal-para-a-maconha. Acesso em: 26 de nov. 2014.

KOPPEL, Barbara S.; BRUST, John C.M.; FIFE, Terry et al. "Systematic review: efficacy and safety of medical marijuana in selected neurological disorders. Report of the guideline development subcommittee of the American Academy of Neurology”. In: Neurology, nº82, 2014, p.1556- 63. Disponível em:< http://familiabrasil.org/revista/ojs-2.2.3/index.php/ENeuroatual/article/view/334/743>. Acesso em: 26 de nov. 2014.

MARTINS, Lucas. Drogas. Disponível em: <http://www.infoescola.com/drogas/>. Acesso em: 19 de nov. 2014.

MENEZES, Cynara.  A guerra de argumentos pró e contra a legalização da maconha. Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/politica/ a-guerra-de-argumentos-pro-e-contra-a-legalizacao-da-maconha-106.html>. Acesso em: 21 de nov. 2014.


Autoria

Carlos Victor Dourado Batista - Bacharelando em Ciências Biológicas 
Juliana Lima de Asevedo de Avelar Almeida - Licencianda em Ciências Biológicas 
Instituto de Biologia - UFRJ

           
  

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Eu gosto, eu não gosto, eu gosto... Vamos entender o horário de verão?


Verão, época do ano que todo mundo gosta. Tem Natal, Ano Novo, Carnaval e ... o horário de verão! Bom, a verdade é que, nem todo mundo gosta da mudança de uma hora em seus relógios. Nós aqui do clipping não tínhamos uma posição formada sobre o assunto, uns adoram o dia claro, outros odeiam levantar mais cedo, então resolvemos pesquisar pra entender melhor o porquê dessa mudança acontecer todos os verões.

Durante os períodos de primavera e verão, os dias são mais longos. Isso ocorre por conta do afastamento máximo angular atingindo entre a Terra e o Sol. Com a maior irradiação solar dos pontos mais afastados da linha do Equador, os dias nesses lugares passam a ser mais longos. Ao notar isso no século XVIII, o cientista, filósofo e diplomata Benjamin Franklin propôs pela primeira vez que os relógios fossem adiantados em uma hora, a fim de aproveitar melhor a luz solar, reduzindo o gasto de velas nas residências e fábricas daquela época. Porém, só no século XX que essa ideia sairia do papel. Willian Willett, membro da Sociedade Astronômica Real sugeriu a mudança dos relógios britânicos durante o verão. Willett falece em 1915, um ano antes de a Alemanha ser o primeiro país a adotar sua tese.

No horário de verão adicione 1h ao valor listrado.

No Brasil, o horário de verão aconteceu pela primeira vez entre 1931/1932 durante a era Vargas, e durou quase meio ano, tendo início em 3 de outubro de 1931 e terminando em 31 de março de 1932. Somente a partir de um decreto do presidente José Sarney, em 1985, a medida passou a ser adotada anualmente. Nos anos anteriores, a medida havia sido adotada apenas por nove vezes: em 1932, de 1949 a 1952, em 1963 e de 1965 a 1967. A partir de 2008 uma data foi fixada para o início e término do horário, que  passa a vigorar entre a zero hora do terceiro domingo de outubro à zero hora do terceiro domingo de fevereiro do ano seguinte, podendo ser prorrogado se essa data coincidir com o domingo de carnaval. Importante lembrar que o horário de verão acontece apenas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. 

Como Benjamin Franklin, propôs no século XVIII sua maior funcionalidade seria o melhor aproveitamento da luz solar e economia, não mais de velas nos dias atuais, mas de energia elétrica. Na atualidade se defende que com a mudança as pessoas têm mais tempo para aproveitar o dia mais longo para o lazer. Porém, a economia de energia na região Sul gira em torno de 7%, nas regiões Centro-Sul e Sudeste gira em torno de 5%. No decorrer da medida o Sol nasce por volta de seis a seis e meia da manhã, e durante esse horário grande parte da população esta se dirigindo ao trabalho e à escola, logo, a iluminação artificial ainda se faz necessária. Além disso, por termos dias mais longos passamos mais tempo executando as nossas tarefas, pois termos a impressão de ainda “estar cedo”, por conta da claridade solar.

Questões pra debate:




 Bibliografia:

PLANETÁRIO DO RIO DE JANEIRO. Movimentos da Terra. Disponível em: <http://www.planetariodorio.com.br/index.php?option=com_k2&view=item&id=325:movimentos-da-terra>.

Acesso em 21 Nov. de 2014.

 Ambiente Brasil. Horário de Verão. Disponível em: 
Acesso em 21 de Nov. de 2014. 
 Portal NiPPO  Brasília. Horário Brasileiro de Verão 2014/2015.
Disponível em: 
Acesso em 21 Nov. de 2014.
How stuff works. A história do horário de verão. Disponível em: <http://empresasefinancas.hsw.uol.com.br/horario-de-verao1.htm>. 
Acesso em 21 Nov. de 2014.




    Maria Júlia Lima Rocha– 
Licencianda em Ciências Biológicas
– UFRJ / CCS
Bolsista PIBEX – UFRJ



https://www.facebook.com/clippsocioambiental