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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Macacos: ser ou não ser? Do racismo à evolução biológica.

                       

  Macacos: ser ou não ser?Do racismo à evolução biológica.

Recentemente, um ato de racismo ocorreu em um jogo de futebol envolvendo um famoso jogador brasileiro. O racismo se manifestou quando uma banana foi lançada ao campo onde o jogador se preparava para cobrar um escanteio, o ato sugeria: “você é um macaco”!
Quais seriam os motivos por trás de tal gesto? Foi um ato de racismo? Desespero de uma torcida mal educada em meio a uma disputa do futebol?
O bom desse evento foi ter reacendido o debate: qual é a nossa semelhança com os primatas?
Saindo dos holofotes da mídia e tomando por base o conhecimento científico, podemos com certeza afirmar que o atirador de bananas pouco conhece sobre a genética humana, afinal TODO SER HUMANO possui 98,5 % de similaridade gênica com os primatas (1,2), e não só os de pele mais escura, como no caso o jogador Daniel Alves.  Além do mais, esta parece ser uma comparação superficial, afinal, o ambiente cultural do homem pode ser considerado mais rico que o dos primatas. Sob outro olhar, nós humanos seríamos apenas “o ponto mais desenvolvido de uma tendência do grupo taxonômico” ao qual pertencemos (2).

“Entre todos os mamíferos, os primatas distinguem-se como os animais que obtiveram maior êxito evolutivo. Uma de suas subordens, a dos antropoides, inclui o homem, de estreitas afinidades estruturais e bioquímicas com os demais,[...].” (3)  



 


 Consequências da polêmica: o caso foi registrado pelo árbitro do jogo como racismo, o torcedor banido do estádio de futebol e o Facebook bombou com a campanha “#somostodosmacacos”. O fato é que toda essa especulação levanta algumas questões importantes quanto à maneira como nos vemos e o que conhecemos sobre nossos parentescos com outras espécies animais.
Entretanto, existe outra face importante desta discussão. Por exemplo, existem políticas públicas, como as leis 12.711/2012 (Lei das cotas raciais) e a 1.390/ 51 (Lei contra o racismo), que implicam em enquadrar os indivíduos em padrões de acordo com a cor de sua pele. Consequência e causa de uma tentativa de divisão da população com relação à cor da pele, o que ‘justificaria’, dentre outras coisas, a exclusão de negros do mercado de trabalho ou do ensino superior público.
Mas, o que distingue a cor da pele? A pesquisadora Luciana Miot e seus colaboradores (2009) nos explicam:

acredita-se que as variações, na cor da pele, sejam ganhos evolutivos e estejam relacionadas com a regulação da penetração da radiação ultravioleta (RUV). A cor da pele humana normal é principalmente influenciada pela produção de melanina, um pigmento castanho denso, de alto peso molecular, o qual assume o aspecto enegrecido, quanto mais concentrado”. (4)

Também é importante saber que o pigmento caroteno (amarelo), a síntese de vitamina D na pele, a degradação de ácido fólico pela RUV, a resistência à exposição solar e variados elementos culturais são fatores que, juntos, interferem na cor da pele em diferentes locais do planeta.

Este ato de racismo demonstra que não só em nosso país existe segregação quanto à cor da pele. Também é perceptível que as políticas adotadas pelo governo brasileiro ao invés de solução do problema, acabam criminalizando ou criando paliativos de curto prazo. Do ponto de vista científico, não é possível visivelmente determinar a porcentagem negra ou branca de alguém. Geneticamente falando, isso só é possível mediante um exame de DNA.


  
Questão para debate:
Em grupos, discutir e montar uma tabela identificando as pessoas por características biológicas diversas, como por exemplo: cor de pele, cabelos, olhos etc. Depois analisar estes resultados e calcular qual é o grupo dominante em sala de aula. Fazer o mesmo levando em consideração as características socioeconômicas, como por exemplo: onde moram, renda familiar, onde estudam etc.
Ao final compare o resultado das duas tabelas. O que se pode concluir?



Bibliografia utilizada:
(1)   http://www.pnas.org/
(6)   MIOT, Luciane D.B. et al. Fisiopatologia do melasma. Anais Brasileiros de Dermatologia, 2009. Veja em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0365-05962009000600008
Imagens de reprodução da internet.

Autoria
 Maria Júlia Lima – 
(Licencianda em Ciências Biológicas –
 UFRJ / CCS / FE; Bolsistas PIBEX – UFRJ).





segunda-feira, 12 de maio de 2014

Olha a Bio Semana aí !


Bio Semana

 Hoje, o Clipping tem o prazer de divulgar a XVIII Biossemana, que acontece entre os 12  e 16 de maio no Centro de Ciências da Saúde, na Ilha do Fundão. 


A Biossemana


              A semana de Biologia da UFRJ – Biosemana – é um evento acadêmico que reúne anualmente alunos de Graduação e Pós-Graduação do curso de Ciências Biológicas, além de estudantes do Ensino Médio interessados por Biologia! Esta semana consiste em cinco dias de troca de conhecimento e experiências nas áreas acadêmico-científica, educacional e de extensão, através de metodologias diversificadas e desenvolvidas pelos próprios alunos.

          A Biosemana foi criada em 1996 e a cada ano torna-se mais conhecida e difundida no meio acadêmico carioca. Desde a sua idealização, a semana de Biologia da UFRJ cresceu em participação, solidificou sua identidade e ganhou credibilidade na Universidade, sendo considerada hoje um evento oficial do Instituto de Biologia. Atualmente, suas principais atividades são palestras, minicursos e mesas redondas, que tratam de temas relacionados à ciência e educação. Além disso, os mais variados temas são apresentados e discutidos através dos Biodrops e Vídeos-Debate. Por fim, ainda temos as oficinas, que englobam atividades de todos os tipos como dança, música, fotografia, etc.

          A Biosemana também se apresenta como uma tentativa de estímulo à extensão universitária. Palestras que tratam de temas integradores e atuais estão sendo organizadas, fornecendo uma base teórica para que os participantes reflitam sobre o papel social de uma Universidade. Estamos desenvolvendo uma programação variada e convidativa, que façam com que a sociedade tome ciência do que é feito aqui!

    








segunda-feira, 5 de maio de 2014

DROGAS SINTÉTICAS OU NATURAIS... EXISTE MESMO UMA DIFERENÇA ENTRE ELAS?

DROGAS SINTÉTICAS OU NATURAIS... EXISTE MESMO UMA DIFERENÇA ENTRE ELAS? 




A fabricação de drogas naturais é feita a base de plantas. Para tal, exige conhecimentos de cultivo, de cuidados no transporte e logística para chegar ao seu local de produção, e aos locais de venda. A cocaína, por exemplo, é feita a partir da utilização da folha de coca, a qual possui propriedades analgésicas. A maconha é produzida utilizando uma planta do gênero cannabis. Outro exemplo ainda é a fabricação da heroína, onde se utiliza a flor de papoula. Logicamente estas plantas funcionam somente como matéria prima de tais drogas já que a elas são adicionadas outras substâncias químicas.


Drogas sintéticas são feitas com produtos químicos artificiais que produzem o mesmo efeito das drogas naturais. Por se tratar de substâncias, em grande parte, utilizadas na fabricação de remédios, acabam circulando livremente e, para piorar são vendidas em embalagens de incenso ou na forma de sais de banho, o que torna mais difícil a sua apreensão pelos órgãos competentes. Como exemplo, podemos citar a substância CP 47497, que é um canabinóide sintético que imita os efeitos da maconha. Esta substância foi desenvolvida em 1980 pelo laboratório Pfizer para estudos científicos. Outro exemplo é uma mistura de MDPV (metilenodioxipirovalerona) e mefedrona, duas substâncias que produzem efeitos similares aos da cocaína, que são a estimulação do sistema nervoso central e consequente euforia, só que em maior intensidade.


Já no caso da heroína foi desenvolvido o krokodil, desenvolvido pelos russos. Seu princípio ativo é a codeína, um analgésico que é vendido legalmente sendo amplamente receitado para fortes dores. Quando exposta ao calor com outros ingredientes como thinner, ácido clorídrico, iodo, gasolina e fósforo, se transforma num líquido que o usuário coloca na seringa e injeta necrosando o local que se torna esverdeado, o que justifica o seu nome.




Partindo da afirmação abaixo, discuta os efeitos negativos do uso desses dois tipos de drogas:
 “As pessoas acham que, se você pode adquirir essas drogas legalmente, devem ser seguras. Mas elas podem ser muito mais nocivas do que as tradicionais", diz Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Para se ter uma ideia, numa análise feita pela polícia científica do Estado americano de Kansas com 100 pacotes de maconha sintética de diferentes fabricantes, concluiu-se que, em alguns casos, os canabinóides sintéticos usados eram até 500 vezes mais potentes do que o THC, princípio ativo da maconha.”


Fonte:


Autores:

 Katia B. Favacho e Silvia Resende

Professoras que participaram do curso “Mergulho no corpo”.







segunda-feira, 28 de abril de 2014

Os animais agem só por instinto?

 Os animais agem só por instinto?



Créditos da imagem: Biólogos na rede – artista: Damian Buzugbe


Antes de qualquer coisa, vamos entender o que é o instinto! Instinto é uma palavra sinônimo de impulso, significa “agir sem pensar” e é uma ação realizada em casos de necessidade. Quando, por exemplo, estamos diante de uma situação de sobrevivência ou medo, usamos nossos instintos. É algo presente em todos os seres vivos!
O que marca a grande diferença entre “animais” e humanos é que, durante um período evolutivo, nosso cérebro se desenvolveu e nós adquirimos capacidade de pensar, o que resultou na definição de animais como seres irracionais e humanos como seres racionais.
A discussão surgiu quando animais começaram a apresentar comportamentos que, para muitos, não são consideradas instintivos, e sim um possível vestígio de raciocínio. Não é um padrão das espécies em geral e não envolvem necessariamente respostas à sobrevivência. Eis alguns exemplos de tais comportamentos:


  •     Experimentos feitos com polvos comprovaram que eles são capazes de abrir frascos, apertar parafusos e até pegar um sanduíche dentro de uma cesta;
  •    Golfinhos foram vistos arrancando pedaços de poríferas (esponjas do mar) e envolvendo seus narizes com eles, para evitar escoriações (lesões na pele)
  •    Uma leoa readaptada ao seu ambiente natural reconhece o homem que cuidou dela quando filhote, e ao invés de atacá-lo, troca carinhos;
  •     Hachiko, que ficou conhecido por inspirar o filme “sempre ao seu lado”, era um cachorro que ia todos os dias à estação de trem num determinado horário esperar seu dono voltar do trabalho. Um dia, seu dono faleceu enquanto trabalhava, então Hachiko passou o resto de sua vida naquele lugar na esperança de que seu dono retornasse um dia. Depois de 9 anos de espera, Hachiko morreu;
  •    Macacos conseguem controlar braços virtuais através de impulsos nervosos (cerebrais).

 Imagem do projeto "andar de novo"

Para quem acredita que os animais também possuem capacidade de raciocinar, essas informações são mais que o suficiente para serem usadas como provas. Porém, há quem confirme que os animais são irracionais e que o instinto é dominante em toda a sua vida. Para estes, estas atitudes ainda são consideradas instinto, porque expressar emoção não é resultado de um raciocínio. No caso de atitudes consideradas inteligentes, os animais geralmente recebem estímulos para realizá-las, quase sempre o estímulo é comida.



   Imagem do filme "Sempre ao seu lado"



Faça uma pequena investigação:

1    Você conhece algum animal que possui atitudes fora do “comum”? Monte uma tabela indicando se ele recebeu algum estímulo para isso ou se o surgimento de um comportamento novo foi involuntário; se outros animais da mesma espécie ou linhagem evolutiva agem da mesma maneira que o animal observado; e se essa atitude só é exercida diante de alguma situação específica, como por exemplo, quando alguém ordena. Compare os resultados das suas observações com a de seus colegas e anote suas conclusões.


Bibliografia:

Informações complementares:

  •  Vídeo: Gatinho tenta reanimar outro gatinho que morreu, disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=PlH22OCdhKw
  •  Vídeo: Reação de macacos que são recompensados de maneira diferente, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=NQIzuwAeARg


Autoria: 
Maiara Pereira Barreto – (Licencianda em Ciências Biológicas – UFRJ / CCS / FE; 
Bolsista PIBEX – UFRJ)




segunda-feira, 21 de abril de 2014

Ler com pouca iluminação enfraquece a visão?

Ler com pouca iluminação enfraquece a visão?


‘’Menino, acende essa luz! Ler no escuro estraga a vista!” Quem nunca ouviu os pais dizendo isso”? Mas será que a quantidade de luz que usamos para ler realmente importa? Ler sem luz causa danos a longo prazo para os nossos olhos?
Uma coisa é certa, para que possamos enxergar, é preciso a presença de luz, pois ela torna possível a visão e a percepção das cores. Um local melhor iluminado permite que possamos enxergar melhor, com cores mais vivas e maior contraste, tornando o esforço visual menos penoso. Se você lê com pouca luz, seus músculos visuais podem obter sinais mistos. Quando o objeto estiver mal iluminado, o foco torna-se mais difícil, porque o contraste entre o texto e a página não é tão grande, o que diminui a capacidade do olho de distinguir detalhes visuais. Essa capacidade é chamada acuidade visual. Seus olhos têm de trabalhar mais para separar as palavras na página, o que tensiona a musculatura ocular.
Quando seus olhos estão trabalhando tão intensamente por um longo período de tempo, tornam-se cansados, assim como qualquer outro músculo. A tensão muscular pode resultar em uma série de efeitos físicos, incluindo dores ou coceira nos olhos, dores de cabeça, nas costas, dores no pescoço e visão turva.





Para entender isso, precisamos dar uma olhada em como nossos olhos funcionam. Ao tentar discernir as letras em condições deficientes de iluminação, duas partes específicas do olho são usadas: o músculo ciliar que precisa manter o cristalino instruído para ler letras e os próprios fotorreceptores. Em luz fraca ou deficiente, os bastonetes sensíveis à luz são particularmente importantes. Eles exigem um pigmento especial, rodopsina, também conhecida como púrpura visual. A estrutura molecular muda quando a luz ambiente é reduzida.
A pupila é a área em nosso olho responsável por regular a quantidade de luz que entra na estrutura ocular. Na presença de pouca luz, ela se abre mais e em ambientes com maior luminosidade ela se fecha mais. Quando você entra em uma sala onde a luz é pouca, o olho ajusta-se de várias maneiras. Em primeiro lugar, as células da haste e do cone na retina começam a produzir produtos químicos mais sensíveis à luz. Estes produtos químicos ao detectar a luz, a convertem  em um sinal elétrico e a transmitem  para o cérebro. Em segundo lugar, os músculos da íris relaxam, o que faz com que a abertura do olho, a pupila, se torne muito grande. Isso permite que seu olho passe a recolher o máximo de luz possível. Finalmente, as células nervosas da retina se adaptam de modo que possam funcionar com pouca luz. Quando você lê, o olho deve ser capaz de focar uma imagem das palavras em sua retina. Para fazer isso, a íris, bem como os músculos que controlam a forma da sua lente devem contrair para manter a imagem focada sobre a retina .


Enquanto a visão é um processo complicado, o olho apenas recebe a luz.

ü  A pergunta que não quer calar:
LER COM POUCA LUMINOSIDADE, ENFRAQUECE A VISÃO?


Bibliografia:
·         FONSECA, Ingrid Chagas Leite da. A Qualidade da Luz e sua Influência sobre a Saúde, o Estado de ânimo e Comportamento do Homem. Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado, PROARQ/ FAU/ UFRJ, 2000.

·         PORTAL SÃO FRANCISCO. Disponível em:         <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/corpo-humano-olho- humano/corpo-humano-olho-humano-2.php#ixzz1veFqcruN>.

·         TORMANN, Jamile. A luz em nossos olhos, Caderno de iluminação: Arte e Cênica, p. 47, Editora Música & Tecnologia, Rio de Janeiro, 2006.
·         CASTRO, Iara Sousa ; RHEINGANTZ, Paulo Afonso ;




Autoria :
Ariel Pereira - Licencianda de ciências biológicas UFRJ






segunda-feira, 14 de abril de 2014

Grafite: arte ou vandalismo?


Grafite: arte ou vandalismo?

Grafite ou grafito (do italiano graffiti, plural de graffito) significa em latim e italiano “escritas feitas com carvão”,  já grafiti vem da palavra “graphein” em grego, e significa “escrever”.  Já é possível perceber que o grafite vem de muito longe, lá do Império Romano. Algumas fontes indicam que o nascimento do grafite deu-se com as pinturas rupestres, feitas ainda no período paleolítico pelos homens das cavernas.
No início dos anos 70, nos guetos americanos os jovens começaram um novo momento dessa prática, agora com tinta spray e não mais com carvão como em Roma. Nascia assim o grafite moderno com o intuito de transmitir mensagens entre o maior número possível de pessoas, como nos trens urbanos; de demarcar territórios, no caso das gangues; como forma de arte popular e de protesto. Existe ainda o grafite como movimento social, que visa por meio da aprendizagem de suas técnicas, transformar jovens de comunidades carentes em desenhistas.





Por falta de uma regulamentação clara sobre o assunto no Brasil, ainda existem desenhos que são apagados por ordem governamental, pois são considerados como vandalismo. Por exemplo, o artigo 65 da Lei 9.605 de 1998 (Lei dos Crimes Ambientais), estipula pena de detenção de 3 meses a 1 ano e multa, “para quem pichar, grafitar ou por qualquer meio conspurcar edificação ou monumento urbano”. Além disso, pode ser enquadrado na regulamentação antiga que o caracteriza o infrator no crime de vandalismo e depredação do patrimônio público.
Existe certa confusão com relação ao emprego das leis, em que ora uma é validada, ora outra. Contrapõe-se à  Lei de Crimes Ambientais a Constituição Federal no seu artigo quinto: Art. 5º. “IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.”
Em 2011, a Lei 9.605 teve um novo parágrafo incluído em seu texto, conforme abaixo:
 Art. 65°. “§ 2o  Não constitui crime a prática de grafite realizada com o objetivo de valorizar o patrimônio público ou privado mediante manifestação artística, desde que consentida pelo proprietário e, quando couber, pelo locatário ou arrendatário do bem privado e, no caso de bem público, com a autorização do órgão competente e a observância das posturas municipais e das normas editadas pelos órgãos governamentais responsáveis pela preservação e conservação do patrimônio histórico e artístico nacional. (Incluído pela Lei nº 12.408, de 2011)


Apesar de ter sido revista, a Lei 9.605 ainda deixa claro que para não ser considerado crime é necessária uma autorização para a prática do grafite, o que mantém a contraposição à Constituição.


Questões para debate.
O grafite pode ser considerado um movimento de arte urbana?
Baseando no artigo quinto da Constituição Federal, é possível considerar o grafite uma forma de vandalismo?


 Bibliografia Consultada.

 http://historiadasartesvisuais.blogspot.com.br/2011/06/historia-do-grafite.html http://artimpacto.wordpress.com/a-historia-do-grafite/ http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm https://www.facebook.com/pages/The-Luggage-Store-Gallery/115504815172692

Fonte das imagens

 https://www.facebook.com/pages/Os-Gemeos/207835592677428 https://www.facebook.com/bruno.zagri/photos

google imagens
Autoria

 Maria Júlia Lima – (Licencianda em Ciências Biológicas – UFRJ / CCS / FE; Bolsistas PIBEX – UFRJ.




segunda-feira, 7 de abril de 2014

Mudanças climáticas: quem é o verdadeiro causador?


Mudanças climáticas: quem é o verdadeiro causador?





A ocorrência de furacões em áreas não usuais, verões excessivamente quentes no hemisfério norte, secas severas em regiões habitualmente úmidas e outros distúrbios de sazonalidade (eventos que sempre ocorrem em determinadas épocas do ano) têm sido interpretados, sobretudo pela mídia, como consequência de desestabilização climática (Conti, 2005). Essas mudanças climáticas percebidas nos últimos anos têm motivado uma série de debates científicos e políticos sobre a existência ou não de mudança climática, e se sua causa seria natural ou provocada pela interferência humana, especialmente pela industrialização através da emissão excessiva de gases poluentes.
Desde 1990, quatro Relatórios de Avaliação foram elaborados por membros da comunidade científica e apresentados no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) que foi criado para fornecer aos políticos e outros interessados em clima, uma fonte de informações objetivas sobre mudanças climáticas (Oliveira & Vecchia, 2009). Em linhas gerais, os relatórios fazem previsões:  aumento na temperatura média global, da elevação no nível dos oceanos nos próximos anos e alegam que as emissões antropogênicas (ações humanas sobre o meio) estão aumentando excessivamente a concentração dos gases causadores do efeito estufa. O quarto relatório chega a atribuir uma probabilidade de 95% do aquecimento, ser causado por processos de interferência humana, deixando apenas 5% para processos climáticos naturais (Oliveira & Vecchia, 2009).

                                                

  Contudo, em 2007 foi criado um painel internacional por cientistas e estudiosos não governamentais,  o NIPCC,  que se dispõe a oferecer uma “segunda opinião” das evidências revisadas e utilizadas pelo IPCC (Oliveira & Vecchia, 2009). Como resultado das avaliações feitas nos relatórios e, também, através de estudos realizados em conjunto com outros pesquisadores, não participantes do IPCC. Por exemplo, a pesquisa intitulada “Mudanças Climáticas Reconsideradas”, do físico atmosférico norte-americano Singer (Singer e Idso, 2009), aponta críticas aos relatórios do IPCC:
·       Ignoraram os dados de satélite que não apresentaram nenhum aquecimento global;
·       Representantes governamentais alteraram os textos do relatório que já tinham sido aprovados por cientistas;
·       Fizeram uso de gráficos desconsiderados e ignoraram completamente os dados das contribuições da atividade solar nas mudanças climáticas.
Assim como Singer, o geógrafo brasileiro Conti (2005) também considera que as causas naturais são as principais responsáveis pelas alterações climáticas no planeta. Segundo esse autor, existe um aumento de atividade solar que acontece de forma cíclica, e quando isso ocorre, há também um aumento da temperatura média da Terra. Dessa forma, os oceanos ficam mais quentes e não acontece uma reciclagem efetiva do dióxido de carbono, que além de ser liberado por ação humana, é produzido principalmente pelo metabolismo dos organismos vivos e pela decomposição de matéria orgânica no ambiente, o que levaria a elevação da quantidade desse gás na atmosfera.
Em nota o NIPCC diz: “Nós não estamos dizendo que os GEE emitidos pelos Seres Humanos, não podem produzir algum aquecimento. Nossa conclusão é que a evidência mostra que eles não estão desempenhando um papel significante no aumento da temperatura.” (SINGER, 2008, p. iv, grifo do autor). Portanto, até o presente, o único “consenso científico” é com relação a seriedade do problema. As incertezas relacionadas às mudanças climáticas são muitas, juntamente com os possíveis interesses político-econômicos.

Questões para debate:

1.   “A ciência climática já não representa mais uma verdade imparcial, mas sim um subterfúgio para o entrelaçamento entre política e o oportunismo” (McLean, 2009). Em que aspectos você concorda e/ou discorda da afirmativa?
2.   As ações humanas e os fenômenos naturais podem estar atuando de forma conjunta nas mudanças climáticas?




Referências bibliográficas:

  •         Conti, J.B. (2005). Considerações sobre as mudanças climáticas globais. Revista do Departamento de Geografia. V. 1, p. 81-88.
  •         Oliveira, M.J. & Vecchia, F. (2009). A controvérsia das mudanças climáticas e do aquecimento global antropogênico: consenso científico ou interesse político?. Fórum Ambiental da Alta Paulista. V. 5, p. 946-962.
  •       Aleixo, A., Albernaz, A.L., Grelle, C.E.V, Vale, M.M., & Rangel, T.F. (2009). Mudanças Climáticas e a Biodiversidade dos Biomas Brasileiros: Passado, Presente e Futuro.8(2):194-196.
  •           Singer, S.F.; IDSO, C. (2009). Climate Change Reconsidered. Chicago: The Heartland Institute. Disponível em <http://www.nipccreport.org>. Acesso em: 18 de outubro de 2013.      
  •   Mudança Climática Existe, só Não É Causada Pelo Homem <http://www.globalresearch.ca/mudan-a-clim-tica-existe-s-n-o-causada-pelo-homem>. Acesso em: 21 de outubro de 2013.


Autoras: Iza Veríssimo, Mariana Passos e Jéssica Taíse
(Licenciandas do curso de Ciências Biológicas da UFRJ).