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segunda-feira, 23 de março de 2015

Eutanásia: Direito de Matar ou Direito de Morrer

www.shosp.com.br

No planeta Terra qualquer ser vivo que possua sistema nervoso está suscetível à dor e ao sofrimento. Pessoas com graves doenças e em estágios terminais sofrem em leitos de hospitais por causa de enfermidades sem que o tratamento seja suficiente para a cura, ou mesmo, para a diminuição da dor. Assim, para evitar o sofrimento muitos médicos, em alguns países, administram a eutanásia que é a morte provocada em pessoas com forte sofrimento, doenças incuráveis ou em estado terminal. Entretanto, a busca pela morte sem a motivação humanística não pode ser considerada eutanásia (YOSHIKAWA, 2009).

Eutanásia é uma palavra de origem grega – eu significa "bom", thanatos significa "morte". É entendida como morte provocada pela piedade por pessoa que sofre e que está em estágio terminal de uma doença. Ao invés de deixar a morte acontecer naturalmente a eutanásia age antecipando a morte.

Nos países que permitem a eutanásia, as leis exigem que o paciente assine um documento informando o estado da sua doença e a sua vontade de fazer este procedimento, daí o caso é levado para uma comissão de médicos, juízes e psicólogos. No Brasil, ainda não há uma lei que justifique a eutanásia como um ato legal, devido às implicações bioéticas, do biodireito, religiosas e dos valores humanos. Contudo, se a pessoa estiver com forte sofrimento, doença incurável ou em estado terminal, a “morte” pode ser classificada como homicídio privilegiado, no qual se prevê diminuição de pena, conforme o Parágrafo 1º do Artigo 121 do Código Penal; pode também ser classificada como auxílio ao suicídio, quando o paciente solicita ajuda para morrer, conforme disposto no Art. 122, do mesmo código; ou ainda a conduta poderá ser considerada atípica, aquela situação fora dos padrões.

Diferente do Brasil, vários países da Europa permitem a eutanásia, sendo a justificativa evitar dor e sofrimento prolongado a um ente querido em estágio terminal. Nesses países há duas formas de se praticar a eutanásia: a "ativa" e a "passiva". A "eutanásia ativa" implica a opção pela morte individualmente deliberada por um enfermo incurável e assistida pelo médico que, a pedido do paciente, lhe prepara um cocktail mortal ("suicídio assistido"). Na "eutanásia passiva" são interrompidas as ações que tenham por fim prolongar a vida do paciente internado, que determina a não utilização de instrumentos, ou de medidas de prolongamento da vida. Esta prática já é muito comum em pacientes de estado terminal.

















http://www.ref.ch/

Algumas religiões são contra a eutanásia, pois a vida é considerada sagrada. O Antigo Testamento considera a vida como oferta de Deus. Em algumas religiões a morte só deve ocorrer quando a pessoa estiver pronta para seguir seu caminho espiritual. Por exemplo, a posição da Igreja Católica, como pronunciado pelos Papas e escrito nos 10 mandamentos - ‘não matarás’ - tem se mantido. No judaísmo, o médico é visto como instrumento de Deus para salvar a vida humana, sendo assim, também se posiciona contra a eutanásia.

Mas esta questão não se restringe a eutanásia, há a distanásia que é o prolongamento artificial do processo de morte e, por consequência, o prolongamento do sofrimento da pessoa e familiares que acreditam na recuperação do doente a todo custo. Conforme a doutora em Direito, Maria Helena Diniz, "trata-se do prolongamento exagerado da morte de um paciente terminal ou tratamento inútil. Não visa prolongar a vida, mas sim o processo de morte" (DINIZ, 2001).

Há também a ortotanásia, que significa morte correta, ou seja, a morte pelo seu processo natural. Neste caso o doente já está em processo natural da morte e recebe uma contribuição do médico para que este estado siga seu curso natural. Assim, ao invés de se prolongar artificialmente o processo de morte (distanásia), deixa-se que este se desenvolva naturalmente (ortotanásia). Somente o médico pode realizar a ortotanásia, não sendo obrigado a prolongar a vida do paciente contra a vontade deste e muito menos a diminuir sua dor. Mas, diante de dores muito intensas sofridas pelo paciente terminal, consideradas como intoleráveis e inúteis, o médico pode agir para amenizá-las, mesmo que a consequência venha a ser, indiretamente, a morte do paciente. A ortotanásia é considerada conduta atípica frente ao Código Penal brasileiro, pois não é a causa de morte da pessoa, uma vez que seu processo de morte já estava instalado.

VAMOS DEBATER?

Veja a imagem abaixo e discuta:



Reflita também sobre a seguinte frase:
"Os momentos de dificuldade não são os melhores conselheiros para se tomar uma decisão irrevogável".

A liberdade de autodeterminação no suicídio é motivada pelas suas circunstâncias. Discuta como o medo da morte, o medo de se tornar um fardo para outros, os altos custos do tratamento de pacientes terminais, dentre outros fatores, podem ser motivadores do desejo a morte, ou de seu prolongamento.






NA TELA
Entrevistas sobre a eutanásia no Brasil com um médico e um promotor de justiça. Veja também os casos de eutanásia no mundo.



Referências Bibliográficas:

DINIZ, Maria Helena. O estado atual do biodireito. São Paulo: Saraiva, 2001.

JUSTO, Antônio Cunha Duarte. Pegadas do Tempo. A eutanásia e a morte organizada. Publicado em . Disponível em: <http://antonio-justo.eu/?p=3112>. Acesso em: 18/03/2015.

SANTANA, Ana Lucia. Eutanásia. Disponível em: <http://www.infoescola.com/etica/eutanasia>. Acesso em: 18/03/2015.

RODRIGUES, Tereza. Bioética e direito. São Paulo: Jurídica Brasileira, 1999, p. 90

YOSHIKAWA, Daniella Parra Pedroso.  Portal LFG. Qual a diferença entre eutanásia, distanásia e ortotanásia? 18 Mai. 2009. Disponível em: <http://ww3.lfg.com.br/artigo/2008080409551418_direito-criminal_qual-a-diferena-entre-eutan%C2%A0sia-distan%C2%A0sia-e-ortotan%C2%A0sia.html>. Acesso em: 18/03/2015.       


Zero Hora. Saiba onde a eutanásia é permitida e como o tema é tratado no Brasil. Disponível em: <http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/noticia/2014/11/saiba-onde-a-eutanasia-e-permitida-e-como-o-tema-e-tratado-no-brasil-4634762.html>. Acessado em:18/03/2015.



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Autoria


Carlos Victor Dourado Batista - Bacharelando em Ciências Biológicas 
Juliana Lima de Asevedo Velozo - Licencianda em Ciências Biológicas 
Instituto de Biologia - UFRJ

segunda-feira, 2 de março de 2015

Fogo contra fogo no combate a dengue


A dengue é um dos principais problemas de saúde pública do Brasil. Mesmo com as frequentes campanhas e programas de combate os índices alarmantes de pessoas doentes se repetem ano após ano. Mas o jogo pode estar mudando a nosso favor. Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz/RJ) em parceria com o Centro de Pesquisas René Rachou (Fiocruz/MG) estão liberando mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia pipientis no bairro de Tubiacanga, localizado na Ilha do Governador, na cidade do Rio de Janeiro, como teste de campo de uma pesquisa realizada durante dois anos. Essa pesquisa faz parte do programa internacional ‘Eliminate Dengue: our Challenge’ (Eliminar a dengue: nosso desafio) já realizado na Austrália, Vietnã e na Indonésia, com previsão de ser implantado também em outros países.

www.madsaude.com           
Estudos descobriram que a bactéria Wolbachia bloqueia a transmissão do vírus da dengue no mosquito A. aegypti, ela também inibiu a reprodução do vírus no mosquito infectado, porque compete com o vírus pelos recursos presentes nas células do mosquito. Outro efeito interessante causado pela Wolbachia é a morte dos embriões do mosquito em cruzamentos entre um macho portador da bactéria e uma fêmea não portadora. Com isso, ela pode promover tanto uma queda na taxa de transmissão do vírus da dengue, quanto no número de vetores da doença.
O programa do qual a pesquisa brasileira faz parte utiliza mosquitos infectados por Wolbachia pipientis (criados em laboratório) para disseminar a bactéria em populações naturais de Aedes aegypti. Os pesquisadores esperam que após a soltura e a infecção das populações naturais de mosquitos com a bactéria, as áreas onde as pesquisas de campo estão sendo realizadas apresentem uma redução significativa na transmissão do vírus da dengue.
          
 www.brasil.gov.br  

Porém, por outro lado, sabemos que bactérias são seres altamente mutáveis, ou seja, apresentam um grau elevado de mutações em seu material genético. Isso torna esses seres, de certo modo, imprevisíveis. Então será que a utilização da bactéria Wolbachia é 100% segura? No futuro, ela pode vir a infectar outros animais e até mesmo seres humanos? Bem, as pesquisas realizadas até agora demonstram que não e os pesquisadores garantem a segurança do processo. E você o que acha?



Assista a entrevista  de Rafael Maciel de Freitas, doutor em Biologia Parasitária , pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Oswaldo Cruz, Departamento de Entomologia





Vídeo produzido por:
Maycon S. Alberto Santos Neves

Utilizando as informações do clipping e dos vídeos posicione-se contra ou a favor da pesquisa e construa argumentos para defender sua posição.


Referências Bibliográficas

ALBUQUERQUE, Cristiane; FERREIRA, Vinícius. Fundação Oswaldo Cruz. Fiocruz inicia estudo com mosquitos que podem reduzir a transmissão da dengue. Disponível em: <http://www.fiocruz.br/ioc/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=2178&query=simple&search_by_authorname=all&search_by_field=tax&search_by_keywords=any&search_by_priority=all&search_by_section=all&search_by_state=all&search_text_options=all&sid=32&site=fio&text=eliminar+a+dengue>. 24 Set. 2014.

Autoria
Maycon S. Alberto Santos Neves e Ricardo Bittencourt Braga
Licenciados em Ciências Biológicas pela UFRJ

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