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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Extra! Extra! Pais do futebol ganha medalha em Matemática!

Extra! Extra! Pais do futebol ganha medalha em Matemática!



É inegável que o Brasil tem grande notoriedade quanto o assunto envolve campo e bola de futebol. Mas será que só temos isso mesmo? Mesmo com pouca popularidade nas ultimas semanas tivemos ótimas noticias vindas da área científica. Um brasileiro acaba de ganhar a medalha Fields e também ganhamos quatro medalhas  nas Olimpíadas de Matemática do Cone Sul.
Após toda aquela loucura que foi a Copa do Mundo, onde mostramos ao mundo a nossa vocação como anfitriões, voltamos a rotina normal. A visibilidade do esporte mais praticado no país ficou um tanto abalada após o 7x1 contra a seleção alemã, o que fez gerar grandes especulações sobre o futuro da “nação de chuteiras”. Técnicos de toda parte, jogadores, comentaristas e torcedores, clamando por mais investimentos no futebol de base, na descoberta de craques mirins e no acompanhamento destes, para que no futuro possam ser os grandes nomes de uma seleção mais forte.

Entretanto, outra base que anda precisando de investimento é a educação. O Brasil ocupa o 58º lugar entre os 65 participantes do exame PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) aplicado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Mas mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, cinco feras na resolução de problemas acabam de trazer ao país medalhas olímpicas! São quatro medalhas nas Olimpíadas de Matemática do Cone Sul, sendo duas medalhas de ouro, uma prata e uma de bronze. Os medalhistas são Pedro Henrique Sacramento de Oliveira, de 15 anos, de Vinhedo (SP), Gabriel Toneatti Vercelli, de 16 anos, de Osasco (SP), João César Campos Vargas, de 16 anos, de Passa Tempo (MG), e Andrey Jhen Shan Chen, de 14 anos, de Campinas (SP), respectivamente.  E não acaba por aí. Uma medalha Fields foi disputada e ganha por Artur Ávila, que já possui 13 condecorações relacionadas à sua área de atuação. A Medalha Fields é considerada o Prêmio Nobel da matemática. Professores, alunos e diretores de escolas por toda nação também pedem por mais investimentos nessa área!


A medalha Fields foi concedida à Ávila por suas “notáveis contribuições no campo dos sistemas dinâmicos, análise e outras áreas, em muitos casos provando resultados decisivos que resolveram problemas há muito tempo em aberto", como descreve o comunicado oficial da União Internacional de Matemática (IMU), que concedeu o prêmio. O documento classifica o brasileiro como um mestre em resolver problemas e como possuidor de um ótimo senso para questões profundas e significativas, com formidável poder técnico, engenhosidade e tenacidade. 
(Marcelo Garcia, Revista Ciência Hoje On-line/ RJ, agosto de 2014)

Pra jogar bola, são necessárias habilidades que podem, e devem ser desenvolvidas dentro da escola, assim como matemática, física, química, biologia e português.



Questões pra debate:

  • Quanto vale um professor de matemática? E um jogador de futebol?
  • Quanto é investido em educação e em futebol no Brasil ? Pesquise a respeito.

Para saber mais:

Maria Júlia Lima Rocha– 
Licencianda em Ciências Biológicas
– UFRJ / CCS
Bolsista PIBEX – UFRJ







segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O uso de animais em pesquisas científicas é um procedimento realmente necessário?

O uso de animais em pesquisas científicas é um procedimento realmente necessário?


Grande parte dos produtos comercializados, antes de serem consumidos pelos seres humanos, são submetidos a procedimentos-testes, como por exemplo, remédios, cosméticos e higiene pessoal. Tais procedimentos, hoje em dia, são realizados em animais criados em laboratório, sendo a grande maioria camundongos (72%). Outros animais também podem ser utilizados para que os produtos possam receber aprovação para consumo humano: peixes, cerca de 13%; pássaros, cerca de 4%; cachorros, gatos e macacos, que totalizam menos de 0,5%. O uso destes animais para teste tem gerado muita polêmica entre cientistas e ativistas que defendem o direito dos animais. Discute-se incessantemente a real necessidade de utilização de animais para testes em produtos, principalmente, em produtos de beleza.


Claude Bernard (1813-1878) era um fisiologista francês, ou seja, estudava o funcionamento dos organismos. Para isto, ele mantinha um biotério e um laboratório nos porões de sua casa porque julgava muito necessária a utilização de animais vivos para as pesquisas científicas. Sua esposa e sua filha, cansadas de ouvir os gritos dos animais que eram torturados, saíram de casa e criaram a primeira sociedade francesa em defesa dos animais. Desde então, outras fundações surgiram e a polêmica só cresceu.


Muitos cientistas declaram que no momento não é viável realizar experimentações científicas sem o uso de animais já que as interações entre células são muito complexas e ainda não foi possível imitá-las, por isso elegem os animais criados em laboratórios para modelos experimentais. Ao mesmo tempo, defendem a Lei Nº 11.794/2008, também conhecida como Lei Arouca, que estabelece, através da Constituição Federal, os procedimentos para o uso científico de animais e a seguem rigorosamente.  As empresas médicas também concordam que sem a experimentação nos animais o entendimento das doenças humanas e o desenvolvimento de novos tratamentos serão prejudicados.


Por outro lado estão os ativistas, que usam de todos os métodos necessários para a erradicação de procedimentos-testes em animais. Afirmam que 65% dos experimentos são realizados sem anestesia, podendo ou não envolver o ato da vivissecção, que consiste na dissecação (separação de partes do corpo de um organismo) de animais vivos com a finalidade de estudos. Além disso, também alegam que já existem inúmeros métodos eficientes e eficazes que podem e já estão sendo usados nessa área e que a utilização de animais em pesquisas. É um retrocesso e um desrespeito à vida.
Segundo a ECEAE (European Coalition to End Animal Experiments), 12 milhões de animais são usados anualmente nos laboratórios europeus. A cada 10 minutos, 137 animais sofrem em experimentos cruéis e dolorosos. Um exemplo da crueldade está em testes do botox, usado para suavizar rugas:

“Cada lote de botox que é posto à venda foi testado em centenas de ratinhos usando o controverso teste de envenenamento por Dose Letal. O teste é chamado LD50 (Letal Dose ou Dose Letal) porque na experiência se procura a dose que matará 50% dos ratinhos – o que causa um sofrimento horrível. Os ratinhos são infectados na barriga com  botox e depois observados para que se vejam quantos morrem. Os ratinhos começam a ficar paralisados, tentando respirar e, se deixados abandonados, sufocarão até morrer”.

Questões para debate:
  • Você defende a utilização de animais para pesquisas científicas? Quais dos envolvidos no debate (ativistas e cientistas) você acredita que possuem uma justificativa mais aceitável?
  • Você acredita que há como usar animais para testes de maneira controlada e de forma que não cause sofrimento aos bichos ou que a ciência deve se preocupar em desenvolver ferramentas que sejam eficientes para a experimentação?
  • Algumas frases inspiradoras para ajudar no debate. Elas são de Donna Haraway, filósofa, escritora e professora:
- “Não é matar que nos leva ao exterminismo, mas sim tornar os animais matáveis.”

- “Considerar os animais como sistemas de produção e como tecnologias não é nenhuma novidade. Levar os animais a sério como trabalhadores sem os confortos das estruturas humanistas para pessoas e animais talvez seja algo novo e possa ajudar a conter as máquinas de matar.”

Bibliografia: 


Fontes das imagens:

  • Vista-se.com.br  - portal sobre veganismo e Direitos Animais do Brasil. (http://vista-se.com.br/veja-o-que-pensa-a-comunidade-cientifica-brasileira-sobre-testes-em-animais-para-produtos-cosmeticos/)
  • Projeto Cienciando - divulgação de inovações, avanços e conteúdos da área de Ciências em geral. (http://projetocienciando.blogspot.com.br/2012/05/experimentacao-animal-crueldade-ou.html)
  • Brasil escola (http://www.brasilescola.com/animais/animais-laboratorio.htm)

Autoria: 

Maiara Pereira Barreto (Licencianda de Ciências Biológicas – UFRJ / Bolsista PIBEX – IB – FE – UFRJ)

David Geber (Graduando de Ciências Biológicas – UFRJ / Laboratório de Vertebrados – UFRJ)

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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Cadê as águas de março, abril, maio junho...?

Cadê as águas de março, abril, maio junho...? 




São Paulo, a poderosa e única megalópole do país é famosa por ser a terra da garoa. Seus moradores, nos últimos meses, têm feito uma pergunta frequente: “o que vem acontecendo com a nossa água?” É visível o desabastecimento de água, um dos artigos básicos à vida. Governo, ONGs  e população tentam defender seus pontos de vista e necessidades, mas o mistério permanece: como resolver o problema da falta d’água?
Com a irregularidade de chuvas durante o verão de 2013/2014 o sistema de abastecimento de Alto do Cantareira sofre com uma estiagem jamais vista. Os níveis de seus reservatórios já atingiram menos de 15%. Para manter um abastecimento regular a SABESP (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) lançou mão de um recurso um pouco duvidoso, a utilização do chamado ‘volume morto’ do Sistema Cantareira.

 O chamado ‘volume morto’ é composto por águas mais profundas do sistema, isto é, aquelas que não foram usadas e se acumularam no fundo dos reservatórios. Por esse fato, podem conter poluentes que são prejudiciais à saúde da população. Outro risco de se utilizar o ‘volume morto’ é o fato de ser uma reserva de emergência, e se o ciclo da chuva não se regularizar nos próximos meses, o rombo no Sistema Cantareira pode passar de 30% negativos em 2015.

No meio a crise de abastecimento o governo de São Paulo afirma que não há necessidade de racionamento de água. Entretanto, a população já sofre com a falta de água nas torneiras. O IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) liberou dados de uma pesquisa realizada entre os dias 26 de julho e primeiro de agosto, onde 73% dos relatos dos consumidores informam a falta de água durante a noite, 9% durante a manhã e 13% durante o dia e a noite.   5% dos moradores informam que as torneiras secam  no período da tarde.
A frequência da falta de água ficou distribuída assim: todos os dias, uma vez por dia - 73%; mais de uma vez por semana - 17%; mais de uma vez por dia - 5% ; 1 vez por semana -  3%;  uma vez por mês - 1%; mais de uma vez por mês - 1%. 

De acordo com os relatos, as regiões mais afetadas com a falta de abastecimento de água são, respectivamente são: a zona Oeste (24%), Norte (23%), Sul (20%), Leste (25%) e Grande São Paulo (8%). Outro dado alarmante é que 59% dos participantes percebem comprometimento na qualidade de água fornecida. (Fonte: IDEC, 2014)



        Questões para debate:

O que pode ter causado a estiagem  que vem afetando o abastecimento do Sistema Cantareira: interferência humana  que causa o aquecimento global ou a ausência de planejamento  do governo paulista? As duas possibilidades podem ser complementares?
Quais medidas deveriam ser tomadas, em sua opinião, para melhorar a distribuição de água e prevenir um racionamento na cidade de SP?

Para aprofundar o debate.

Não é a primeira vez que você vê um tema assim aqui, uma boa leitura complementar é o clipping sobre mudanças climáticas.

Veja também.


 



Fontes:

Autoria
Maria Júlia Lima Rocha 
Licencianda em Ciências Biológicas – UFRJ / CCS
Bolsista PIBEX – UFRJ










segunda-feira, 28 de julho de 2014

Eu vou invadir a casa dos anfíbios ou protegê-los?

EU VOU INVADIR A CASA DOS ANFÍBIOS OU PROTEGÊ-LOS?

A Classe Amphibia é formada por 3 ordens: Caudata (salamandras), Gymnophiona (cecílias ou cobras-cegas) e Anura (sapos, rãs e pererecas). É a classe de vertebrados com o maior número de espécies se extinguindo no mundo. Devido suas características fisiológicas ou orgânicas, como respiração, nutrição, etc e às características ecológicas, como pele permeável (que permite a passagem de algum fluido), o que os torna vulneráveis a dessecação (perda excessiva de água) e ao aumento de temperatura do corpo, eles são afetados por qualquer distúrbio ambiental, como a poluição. Atualmente, as duas principais causas da diminuição das populações de anfíbios são a doença causada pelo fungo quitrídeo (Batrachochytrium dendrobatidis) e a destruição de seus hábitats.



Ordem Caudata - salamandra (Bolitoglossa sp) e Ordem Gymnophiona - cobra-cega (Caecilia marcusi). Fotos por Paulo S. Bernarde. Fonte: http://www.herpetofauna.com.br/Anfibios.htm

A perda de hábitats vem aumentando com o avanço da sociedade humana. Desde o momento em que deixamos de ser nômades, ocorreram desmatamentos. Florestas nativas foram derrubadas para a criação de espaços para o uso na agricultura e na pecuária de subsistência e, com o passar do tempo, para a construção de cidades, indústrias, grandes plantações e criação de animais. Do ponto de vista econômico essas mudanças podem ser importantes no desenvolvimento do nosso tipo de sociedade, principalmente pela necessidade de emprego, moradia, alimentos para a população, além do desejo de lucro. Se houver uma floresta em uma determinada área, provavelmente essa área não poderá ser usada para o plantio, sendo assim, não haverá o cultivo de soja, por exemplo, usada para alimentação de animais e humanos, e para a produção de biodiesel.

Plantação de soja (www.ufgrs.br)

Entretanto, muitos ecossistemas são destruídos e espécies de animais (alguns ainda nem descobertos) estão sendo extintos. Os anuras possuem um importante papel ecológico na cadeia alimentar. Sabe quando aparecem vários mosquitinhos chatos que ficam picando a gente? Pois bem, os sapos são os principais predadores desses insetos. Então, tente imaginar um mundo onde não existam sapos. Além disso, não podemos esquecer que os sapos também são alimentos para vários animais, como cobras e corujas. 

Se os sapos forem extintos, você notará.
(http://kqedscience.tumblr.com/post/14172256780/if-frogs-go-extinct-youll-notice)

Do ponto de vista econômico e farmacológico os sapos também são importantes. Eles possuem substâncias tóxicas usadas para sua defesa contra predadores, mas com o avanço nas pesquisas estas substâncias estão sendo usadas para o desenvolvimento de medicamentos que combatem doenças. O veneno do sapu-cururu (Rhinella jimi) – é o mesmo sapo cururu da música – é usado para o tratamento da leishmaniose e doença de Chagas. Um outro sapo Epipedobates tricolor possui uma substância que é 200 vezes mais potente que a morfina. Imagine o uso em pacientes com fortes dores! O caso mais antigo de uso do "veneno" é do kambô, o Phyllomedusa bicolor (na verdade o kambô é uma perereca!), do qual os indígenas da Amazônia fazem a vacina do sapo. Eles retiram a secreção do animal, fazem um pequeno ferimento no braço da pessoa que irá tomar a vacina e injetam a secreção. Ela causa inúmeras reações como náusea, diarreia, vômitos, mas os índios acreditam (e os cientistas também estão começando a acreditar) que essa substância pode curar diversas doenças. 


A perereca Phyllomedusa bicolor. Fonte: http://www.herpetofauna.com.br/Kambo.htm.


GLOSSÁRIO   
Termos
Significados
Biodiesel

Combustível de automóvel feito a partir de óleos vindo de plantas ou de gordura animal.

Ecossistema
Relação entre todos os seres vivos com o ambiente em que estão presentes.

Metamorfose
É uma transformação na forma e estrutura do corpo que alguns animais passam durante o ciclo de vida. Ex. o girino que se transforma em sapo e a lagarta que pode virar uma borboleta ou mariposa.

Nutrientes
Substâncias adquiridas na alimentação e necessária para o funcionamento adequado de todos os seres vivos.

 DEBATES

  • Os anfíbios são animais que possuem grande importância para a sociedade, tanto farmacológica, alimentícia (acredite, tem gente que gosta de comer rã) como ecológica. Entretanto, esses animais vêm perdendo seus espaços no ambiente devido, principalmente, ao desmatamento. O desmatamento também possui importância econômica para o país. A partir do texto acima, de pesquisas e opiniões, dividam-se em grupos de 4 ou 5 e debatam o que vocês consideram mais importante: preservar os anfíbios ou desflorestamento. Ao final, comparem a opinião dos grupos e vejam a conclusão de cada um.


  • Observe a imagem abaixo. Ela mostra um engenheiro no meio da floresta com o balão da conversa em branco. O que você acha que ele irá falar? Podemos preservar ou construir. Compare sua resposta com a de seus colegas.



JÁ VIU SAPO CANTAR?

Então acompanhe a vocalização do Dendropsophus minutus

fonte: http://ardobrasil.blogspot.com.br/search/label/Anuros

 




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • APROSOJA. Os usos da soja. Disponível em: http://www.aprosoja.com.br/sobre-a-soja/Os-usos-da-Soja 26 Junho. 2014.


  • ARRAES, Ronaldo de Albuquerque e; MARIANO, Francisca Zilania; SIMONASSI, Andrei Gomes. Causas do desmatamento no Brasil e seu ordenamento no contexto mundial. Rev. Econ. Sociol. Rural,  Brasília ,  v. 50, n. 1, Mar.  2012 .   Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010320032012000100007&lng=en&nrm=iso. 26 Junho 2014. 


  • MULLER, Fernanda. Agricultura é apontada como grande vilã do desmatamento. Disponível em: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/agricultura1/noticia=731944. 26 Junho 2014.


  • RODRIGUES, Adriele. A importância dos anfíbios. Disponível em: http://www.revistafapematciencia.org/noticias/noticia.asp?id=466. 26 Junho 2014.

Autoria:

David Geber
Licenciado em Ciências Biológicas – UNIGRANRIO
Bacharelando em Ciências Biológicas – Zoologia – UFRJ
Laboratório de Vertebrados – Departamento de Ecologia – UFRJ

terça-feira, 22 de julho de 2014

Criança ou adulto em miniatura? De volta ao século XV...

 Criança ou adulto em miniatura? De volta ao século XV...


No século XV, um pouco mais de 500 anos atrás, o termo “criança” ou “infância” não existia. Naquela época, as crianças eram vistas como “ADULTOS EM MINIATURA”, ou seja, eram tratadas e vestidas como adultas. Também não possuíam direitos ou deveres como criança. Para a sociedade, elas só precisavam crescer! Havia uma grande valorização do adulto, isso porque das crianças que nasciam poucas conseguiam se desenvolver, muitas morriam antes mesmo de chegar à fase que hoje conhecemos como adolescência, já que naquele tempo havia muitos problemas com doenças. Sendo assim, as crianças como seres mais sensíveis às patologias, somadas ao escasso atendimento médico, na maioria das vezes, acabavam morrendo. Devido à mortalidade excessiva, as mães eram aconselhadas a não se apagarem aos seus filhos. Em muitos casos também não havia o cuidado na família, sendo as crianças entregues às ‘casas de cuidado’. Ao chegarem à idade em que podiam trabalhar, estavam “livres” para seguir com suas vidas. As crianças que conseguiam chegar à fase da adolescência já eram consideradas adultas.  
“Desde os começos da nova indústria, as crianças foram empregadas nas fábricas. (...) A alta taxa de mortalidade que se verifica entre os filhos dos operários, especialmente dos operários fabris, é uma prova suficiente da insalubridade do ambiente em que transcorrem os primeiros anos de vida.” (ENGELS, 2008, [1845], p. 187)
INSALUBRIDADE: condições prejudiciais à saúde, além do limite tolerado pelo indivíduo.
 


“As roupas severas e rebuscadas das meninas do século XIX revelam a pouca preocupação da época por trajes que deixassem a criança à vontade. Os cabelos frisados ou presos em penteados elaborados, as jóias e adereços que confundem-se com os de adultos, a expressão séria, acompanhada do livro, servem para complementar a impressão de que estamos observando, na verdade, adultos em miniatura.” (FONTE: Exposições Virtuais)

Um filósofo e educador chamado Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), se atentou para acontecimentos da época e percebeu que alguma coisa estava errada. Ele observou que uma criança tinha necessidades diferentes dos adultos, e que eram seres que precisavam de mais atenção e cuidados especiais, além de melhores condições de vida para um melhor desenvolvimento. Diante desses fatos, concluiu que elas não podiam mais ser chamadas e nem tratadas como adultos em miniatura. Ele passou a defender uma maneira revolucionária e inovadora de educação para sua época, a educação de acordo com a natureza do indivíduo, onde cada fase de vida deveria ser valorizada. Com seus estudos passamos a ter outra compreensão da infância, da adolescência e da fase adulta. Rousseau tornou-se um grande filósofo em sua época. A partir de suas ideias, cada vez mais as crianças foram adquirindo direitos e deveres. Com o passar dos anos, surgiram os ‘Jardins de Infância’ (termo dado por Rousseau), que foram as primeiras escolas voltadas ao desenvolvimento da criança. Leis de defesa das crianças e adolescentes foram criadas, para que não mais fossem explorados e tratados como adultos.

Aula de natação no clube Sírio Libanês
Rio de Janeiro, 1971 (FONTE: Exposições Virtuais)

Na sociedade atual, vemos pais cada vez mais preocupados com o futuro de seus filhos e, por este motivo, muitas crianças saem da escola e vão direto para o curso de língua estrangeira, aulas esportivas, as meninas levadas para o ballet, ou, ainda, para jornada dupla na escola. Após um dia cheio de atividades, as crianças chegam em casa e ainda precisam fazer as tarefas escolares. Diversificar atividades é muito importante para o desenvolvimento infantil, mas a realidade é que elas vêm trazendo cada vez mais responsabilidades para as crianças e substituído a “hora de brincar” por uma pesada rotina de obrigações.
Mas pra quê brincar? A rotina de atividades e o avanço da tecnologia fez com que as crianças perdessem o interesse pelos brinquedos tradicionais e, muitas já possuem muito cedo aparelhos celulares. Essa suposta perda de interesse obrigou os fabricantes a “informatizarem” seus brinquedos para que eles atraiam o interesse infantil.


(FONTE: Imagens do Google)



Além disso, as roupas e os acessórios para a criança passaram a acompanhar a estética adulta. As meninas desde cedo já aprendem a se maquiar e pintar as unhas, assim como escolhem brincos e colares para usarem com suas roupas modernas. Até concursos de “miss mirim” já existem. Os meninos com suas roupas, tênis e cordões, geralmente utilizados por adultos não ficam atrás. As crianças estão cada vez mais biologicamente e psicologicamente parecidas com os adultos, mas nem sempre elas agem ou devem ser tratadas dessa forma.

Roupas “tal mãe, tal filha”
(FONTE: Imagens do Google)

Vamos debater?

  • ·     “A criança precisa de liberdade para viver e aproveitar cada fase da sua vida, em seu devido tempo e não ser considerada um adulto em miniatura.” Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Discuta esta frase de Rousseau e responda: você acredita que estamos vivendo em uma sociedade que “obriga” nossas crianças a viver como adultos em miniatura? 
  •              Após assistir ao documentário “Criança, a alma do negócio”, discuta a parcela de responsabilidade da família, da mídia ou da sociedade pela proteção à infância.



Bibliografia:


Autoria:


Maiara Pereira Barreto (Licencianda de Ciências Biológicas – UFRJ)
Bolsista PIBEX – IB/CCS/FE




segunda-feira, 14 de julho de 2014

TRANSGÊNICOS: PROBLEMA OU SOLUÇÃO?

Transgênicos: problema ou solução?


Os genes são partes do DNA (ácido desoxirribonucleico) responsáveis pelas características dos seres vivos. Essas características podem ser físicas e fisiológicas. Um organismo geneticamente modificado (OGM) é aquele que possui qualquer alteração em seu genoma original. De acordo com essa definição, podemos, agora, caracterizar os transgênicos como OGMs os quais receberam parte do genoma (um gene específico) de outro organismo.

Se colocarmos em um organismo um determinado gene, como por exemplo, ligado à resistência a pesticidas em uma plantação, as ervas daninhas serão prejudicadas, e assim, a produção interessada não será eliminada pelo veneno.


Podemos citar outras vantagens apontadas pelos partidários dos OGMs, abaixo:

  •         Capacidade praticamente ilimitada de transferência de genes – É possível transferir para o organismo quantos genes forem necessários para sua resistência, crescimento ou mesmo aparência;
  •       Perspectiva lucrativa às grandes potências biotecnológicas e aos produtores rurais adeptos desta tecnologia - É possível manipular, reduzir ou erradicar as causas de perda da produção de alimentos;
  •          Capacidade de resistência às doenças e pragas;
  •          Diminuição do uso de pesticidas;
  •          Desenvolvimento mais acelerado da produção;
  •          Aumento da qualidade nutritiva.


Porém, nem tudo é somente sucesso e lucro. Devemos pensar também nos malefícios vinculados a essa prática; afinal, estamos modificando o material genético de um ser vivo! É nesse ponto que observamos um grande problema: poucos estudos acerca do tema estão sendo divulgados, dificultando a avaliação de riscos pela população consumidora destes produtos.


 Podemos citar alguns outros problemas, abaixo:

  •       Possíveis alergias, alterações no sistema nervoso e motor e danos severos ao fígado;
  •       Contaminação gênica;
  •       Ameaça à biodiversidade;
  •       Possível não-transferência do gene incorporado às gerações seguintes;
  •       O elo final, agricultores e consumidores ainda não possuem confiança nesses produtos (principalmente por serem “novos’ e por não terem dados conclusivos);
  •    Poucas pesquisas são realizadas e divulgadas justamente pela grande pressão econômica feita através dos grandes produtores da tecnologia. Assim, possuímos dados insuficientes relacionados ao consumo de longo prazo, nas áreas da saúde e ambiental;





Debatendo...

1 – Há pouco incentivo à pesquisa a respeito do impacto ambiental/saúde causado pelos transgênicos. Por que isso acontece?
2 – Como identificar produtos transgênicos industrializados? E os comercializados individualmente (“sacolões” e hortifruttis)?
3 – Quais outras questões podem ser abertas nas áreas de saúde, meio ambiente, ética e cultura relacionadas ao consumo de transgênicos?


Assista aos vídeos:

O mundo segundo a Monsanto (traduzido) - 1h50min


e

Milho transgênico pode provocar tumor - 2min





Fontes:

  • Camara, M.C.C. et al. Transgênicos: Avaliação da possível (in)segurança alimentar através da produção científica. História, Ciências, Saúde – Manguinhos. Rio de Janeiro. Vol. 16, n.3, jul – set. 2009, p.669-681.
  •  Valles, S. ‘Transgênicos sem manequeísmo’. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, vol. VII(2), 493-98, jul. – out. 2000.
  • Cavalli, Suzi Barletto. Segurança alimentar: a abordagem dos alimentos transgênicos.Rev.Nutri.Vol.14.suppl. 0.Campinas.2001.

  
Autores:

Whitaker Jean Jaques e Silva – whijeanjs@gmail.com
Nataly Lima – lima.p.nataly@gmail.com

Paula Regina de Almeida da Silva. – paulareginaaps@ig.com.br