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quarta-feira, 9 de março de 2016

AEDES, CRISE DE IDENTIDADE - ZIKA, DENGUE, CHIKUNGUNYA E FEBRE AMARELA





Os mosquitos do gênero Aedes são vetores de diversas doenças, a dengue por exemplo pode ser encontrada no Aedes aegypti, no Aedes albopictus e no Aedes polynesiensis.
Com o primeiro registro na África, em 1881, o Aedes aegypti foi reconhecido pela primeira doença que transmitia, a Febre Amarela. Estudos indicam que ele chegou nas Américas através de embarcações da Europa, tendo sua primeira aparição no Brasil em 1898. Em 1906 surgem as primeiras evidencias de que ele também era vetor da dengue. Atualmente, o mosquito Aedes é reconhecido como vetor de 4 doenças: Febre Amarela, Zika, Chikungunya e Dengue. O mosquito é combatido no mundo desde o século XIX.
Enquanto o Aedes aegypti é um mosquito que predomina em qualquer lugar onde possa se reproduzir e esteja mais intimamente ligado a vida humana, o Aedes albopictus é preferencialmente um mosquito de florestas e ambientes rurais, a espécie é mais frequente na África e nas Américas, tendo sua primeira aparição no Estado do Rio de Janeiro em 1986. O Aedes albopictus tem capacidade de transmitir a Dengue, Febre Amarela e a Encefalite Equina Venezuelana.  O Aedes polynesiensis também é vetor da Dengue e de outras doenças,  como a Filariose (infestação do sangue e dos tecidos por diversos vermes Filaria,  e causa reação inflamatória e obstrução dos vasos sanguíneos) e a Dirofilariose canina.
No Brasil, inicialmente o Aedes aegypti transmitia somente Dengue, com casos isolados de Febre Amarela, porém, com o passar dos anos e com todas as condições favoráveis para sua reprodução o mosquito passou a ter variações genéticas que o tornaram um agente intermédio de outras doenças como a Zika e a Chikungunya.
Vejamos a seguir alguns fatos que “ajudam” na dispersão do mosquito:
Ele tem grande capacidade de adaptação ao ambiente humano. Preferencialmente coloca seus ovos em água limpa, porém pode desovar em águas ricas em matéria orgânica. Sendo assim, qualquer objeto pode servir de criadouro para seus ovos e larvas.
Caso o ambiente deixe de ser favorável para a eclosão da larva, os ovos têm capacidade de permanecer latentes por até 1 ano, até que o local volte a ser favorável, então as larvas eclodem e em 7 dias há novos mosquitos.
A fêmea distribui os ovos, ou seja, ela não faz uma única desova, ela distribui seus ovos em diversos locais, assim a chance de sobrevivência é maior.
Outros mosquitos ou pernilongos têm habito noturno, o que não acontece com o Aedes, ele pode se alimentar de manhã ou a noite, dependendo da disponibilidade de alimentos.
Graças a grande plasticidade genética do mosquito, muitos vírus puderam evoluir juntamente com ele, e se adaptaram um ao outro.
O vírus pode ser passado da fêmea para os ovos, então não é preciso que os filhotes adquiram o vírus de outro meio, ele já nasce com ele.
Para combater o mosquito, a forma mais utilizada em residências é o inseticida, pois ainda há muita carência de informação para que a população faça o controle e a correta verificação da sua residência, a fim de evitar a procriação do mosquito. Porém, o uso contínuo desses produtos provocou e tem provocado o aparecimento de populações resistentes. Quando nos deparamos com esse tipo de situação a primeira alternativa é utilizar uma maior quantidade de produto, porém a resistência é proporcional a intensidade de uso. Quanto mais produto você utilizar, mais rapidamente vai acontecer a seleção de populações cada vez mais resistentes, causando uma maior complicação no controle desse vetor, sendo necessário a utilização de outras substancias com modos diferentes de ação.
Não podemos esquecer que o uso excessivo de inseticidas pode afetar a saúde do homem que entra em contato com esses produtos químicos, pode haver intoxicação, e também afetar o equilíbrio natural, como a eliminação de outros animais benéficos, e a contaminação da água, solo e da atmosfera. Todos esses fatores levam a ciência a buscar alternativas para efetuar o controle de vetores, o que ainda está sendo estudado.

Questão para debate:
Como você acha que podemos diminuir o aparecimento desses mosquitos em nossa casa?
Você acha que é possível controlar os vetores, de forma natural? Como?

Referencias
BRAGA, Ima; VALLE, Denise. Aedes aegypti – Inseticidas, mecanismos de ação e resistência. Disponível em: <https://www.ufrgs.br/rscontraaedes/materiais/artigo-aedes-aegypti-inseticidas-mecanismos-de-acao-resistencia.pdf>. Acesso em: 04 de março de 2016.
BARIFOUSE, Rafael. Porque o mosquito Aedes Aegypti transmite tantas doenças? Disponível em:  http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151202_aedes_aegypti_vetor_doencas_. Acesso em: 04 de março de 2016.
BARRETO, Cleyde. Aedes, resistência aos inseticidas químicos e as novas alternativas de controle. Disponivel em:<http://docplayer.com.br/115330-Aedes-aegypti-resistencia-aos-inseticidas-quimicos-e-as-novas-alternativas-de-controle.html>. Acesso em: 06 de março de 2016.
PALMA, Ana; OLIVEIRA, Miguel. Outros transmissores da Dengue. Disponivel em: <http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1411&sid=2>. Acesso em: 07 de março de 2016.
Filariose Linfatica. Disponivel em: <http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=106&sid=8>. Acesso em: 07 de março de 2016.

AUTORIA:

Jacykaysla Pacheco da Silva - Licencianda em Ciencias Biologicas/UFRJ - PIBEX

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

SAIBA MAIS SOBRE O POLÊMICO ZIKA VIRUS

A fêmea do mosquito Aedes aegypti pode transmitir através da picada os vírus da zika, da dengue e da chikungunya. A diferença entre as doenças são os sintomas, conforme o quadro abaixo, e o tratamento/medicamento para cada caso.


https://agencia.fiocruz.br/zika-chikungunya-e-dengue-entenda-diferen%C3%A7as



Muito tem se discutido sobre o zika vírus, sobre como está se alastrando de forma rápida, e a sua relação com mulheres grávidas e o nascimento de bebês com microcefalia. Afinal, por que esse vírus tem afetado tanto a vida das pessoas?


A microcefalia é uma condição neurológica rara que faz com que o crânio de um bebê se desenvolva seja menos do que o normal, caracterizando uma deficiência no crescimento do cérebro.

Fonte: Jornal Ciência


O surto do zika vírus aproximou ainda mais essa discussão da população, principalmente em relação ao que ela precisa fazer para evitar essas doenças e trouxe dúvidas à comunidade científica sobre o efeito do zika vírus em gestantes. A mídia tem mostrado a relação entre mulheres grávidas que tiveram a doença e seus bebes com microcefalia, mas até que ponto essa relação é cientificamente verdadeira? Vamos conhecer as controvérsias entre estudos e pesquisadores do assunto.
Uma nova informação seria de que o ‘surto de microcefalia’ não seria causado pelo zika vírus, e sim por pesticidas lançados na água consumida pela população atingida. Afirmam que isso não é coincidência, já que no Brasil o uso desses pesticidas tem se proliferado. A Colômbia, segunda colocada em número de casos de zika, não registrou casos de microcefalia até o momento. No caso brasileiro a polêmica sobre o pesticida vem como consequência do relatório de pesquisadores argentinos:
“Na área onde as pessoas mais doentes vivem, um larvicida químico que produz malformações em mosquitos tem sido aplicado por 18 meses e este veneno (piriproxifeno) é aplicado pelo Estado em água potável usada pela população afetada”, afirma o relatório, publicado pelo grupo argentino Physicians in Crop-Sprayed Towns (PCST, 2016).



O piriproxifeno tem na sua composição química a piridina. Ele é utilizado como larvicida, isto é, para matar a larva e evitar a propagação do mosquito Aedes aegypti.



Para a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não há confirmação científica da relação Zika e alterações biológicas no crescimento de fetos.
Para o governo brasileiro,
“Ao contrário da relação entre o vírus zika e a microcefalia, que teve a sua confirmação por testes que indicam a presença de vírus em amostras de sangue, tecido e fluido amniótico, a associação entre o uso de piriproxifeno e microcefalia não tem base científica”.

Adriana Melo, que atua na maternidade do Instituto Elpídio de Almeida (Isea), em Campina Grande, na Paraíba, foi a médica que tomou a iniciativa de coletar o líquido amniótico de duas gestantes e enviar para ser analisado no Rio de Janeiro, no Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). A médica diz que começou a suspeitar da relação entre o vírus e a microcefalia após conversas com profissionais de Pernambuco, estado com mais notificações da malformação no Brasil.         
 "Há vários padrões de microcefalia e isso dificulta as investigações. Mas continuo batendo na tecla que, antes de resolver as consequências, devemos combater o mosquito".

Como as pesquisas estão em andamento, ainda não conhecemos realmente todos os efeitos do zika vírus sobre a população e quais os efeitos ele causará no futuro com suas mutações genéticas. Vamos aguardar, mas combatendo o mosquito!




QUESTÃO PARA O DEBATE
Qual sua posição em relação à controvérsia apresentada?
O surto dessas doenças tem afetado a rotina da sua casa?

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Autoria 

Juliana Lima de Asevedo/ Bolsista PIBEX
Licenciando em Ciências Biológicas




Bibliografia:
XAVIER, Gustavo.Pesquisadora paraibana alerta sobre possível surto da zika em 2016. Disponível em : < http://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2015/12/pesquisadora-paraibana-preve-2016-caotico-por-causa-do-surto-da-zika.html> Acesso em: 22/02/2016.

MARTINS, Rodrigo. O zika e o descaso na saúde pública. Disponível em :  http://www.ihu.unisinos.br/noticias/551609-o-zika-e-o-descaso-na-saude-publica . Acesso em: 22/02/2016.

RIZZATO, Bruno. Pesticida colocado na água seria o responsável pelo surto de microcefalia no Brasil, e não o Zika? Disponível em :< http://www.jornalciencia.com/pesticida-colocado-na-agua-potavel-seria-o-responsavel-pelo-surto-de-microcefalia-no-brasil-e-nao-o-zika-diz-relatorio/ > Acesso em:22/02/2016.

CERQUEIRA, Merelyn. Entenda o que é a microcefalia e os problemas que ela pode gerar em seres humanos. Disponível em : < http://www.jornalciencia.com/entenda-o-que-e-a-microcefalia-e-os-problemas-que-ela-pode-gerar-em-seres-humanos-2/ >. Acesso em : 22/02/2016.

SECRETARIA DE SAÚDE DA BAHIA. Perfil das doenças: Dengue, Zika e Chikungunya. Disponível em :<http://www.saude.ba.gov.br/novoportal/index.php?option=com_content&id=9496& Itemid=17 >.  Acesso em: 22/02/2016