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terça-feira, 10 de junho de 2014

Fofoca em alto-mar:existe conversa entre golfinhos?



Fofoca em alto-mar:existe conversa entre golfinhos?




Golfinhos são largamente conhecidos por sua inteligência e uma alta capacidade de estruturação em grupos sociais complexos. Como o ambiente aquático apresenta limitações à visão, a comunicação entre os indivíduos é preferencialmente pelo som. A grande diversidade populacional, bem como a complexidade das atividades realizadas por estes mamíferos, estratégias de pesca, por exemplo, exigem um sistema eficiente de comunicação. Dentre os sons produzidos por estes animais, os mais comuns são os assovios que podem servir, dentre outras coisas, como um sinal de reconhecimento individual, chamado de assovio assinatura.

Em 2001, a autora Brenda McCowan da Universidade da Califórnia, publicou um polêmico artigo dizendo que o assovio assinatura é uma "falácia" (palavras da autora). Neste estudo, a autora gravou vocalizações de golfinhos em cativeiro na Califórnia. Desta forma, ela podia separar que indivíduo produzia qual som. Depois da análise das gravações a autora concluiu que todos os tipos de assovios eram compartilhados pelos indivíduos daquele cativeiro, de modo que não havia nenhum sinal de reconhecimento individual.





Já em 2009, as autoras Luciana Figueiredo e Sheila Simão da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, publicaram um trabalho que se contrapunha as observações de McCowan. Neste estudo, foram gravados grandes grupos de golfinhos em ambiente natural, constatando ao fim que havia sinais de reconhecimento individual.



A grande questão é que a diferença nas populações analisadas (pequena população de cativeiro e grande população natural) pode ter gerado a diferença nos resultados. Assim, uma pequena população de cativeiro não encontra grande necessidade de reconhecimento individual uma vez que não emprega atividades sociais complexas (como pesca em grupo ou briga por posição social no grupo). Já uma numerosa população natural possui grande necessidade de comunicação para manter o grupo coeso e organizado. Por outro lado, a população com grande número de indivíduos e em ambiente livre, apresenta limitação metodológica, uma vez que é difícil estabelecer qual indivíduo produz cada vocalização, problema que não ocorre em cativeiro. Outra conclusão possível seria que os resultados diferentes refletem padrões populacionais diferentes.

QUESTÕES PARA O DEBATE:
Com base nos resultados obtidos pelas pesquisadoras, é possível inferir se de fato existe ou não algum tipo de comunicação de reconhecimento individual entre os golfinhos? Na sua opinião, em qual situação os dados produzidos são mais confiáveis, em cativeiro ou na natureza?

Será que a comunicação de reconhecimento individual em uma população é essencial para sua sobrevivência? Pense no exemplo das populações humanas.


Bibliografia:

Figueiredo, L. D.; Simão, S. M. (2009). Possible occurrence of signature whistles in a population of Sotalia guianensis (Cetacea, Delphinidae) living in Sepetiba Bay, Brazil. Acoustical Society of America. p. 1563-1569.
McCowan, B., and Reiss, D. (2001). The fallacy of ‘signature whistle’ in bottlenose dolphins: A comparative perspective of ‘signature information’ in animal vocalizations. Animal Behavior. 62, p. 1151–1162.

Autores:
Israel Maciel & Daniel Cerqueira (Licenciandos do curso de Ciências Biológicas/UFRJ).



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